sexta-feira, 19 de outubro de 2018
Nada Pop

E o Fotolog finalmente apagou o seu passado. Alívio de uns e tristeza para outros

Um dos precursores do Instagram com certeza foi o Fotolog, se você tem mais de 25 anos (para não dizer 30) é provável que essa plataforma tenha sido sua principal forma de entretenimento/vergonha alheia ou até mesmo uma forma de contato com outras pessoas – principalmente para as bandas – lá pelo anos 2000.

Em notícia que parece ter caído como uma bomba na manhã desta sexta-feira (8), o Fotolog saiu do ar no início do ano e isso trouxe certo alívio para muitos usuários que estavam tentando deletar suas contas no serviço sem qualquer tipo de sucesso.

Em matéria no site da BBC Brasil, publicada em outubro de 2015, temos a informação de que diversos usuários do Fotolog – muitos deles com vergonha do próprio passado ou apenas para evitar certos constrangimentos entre amigos e familiares, estavam tentando excluir suas contas da rede. É fato que por aqui, principalmente nos anos 2000, muitos adolescentes não perceberam certos riscos que determinadas exposições na internet poderiam causar.

Imagine um adolescente, com todos os seus hormônios em ebulição, com muitas horas disponíveis e com acesso irrestrito a internet num período onde a própria internet estava sendo descoberta no mundo para ter uma noção mais ou menos clara dos problemas que isso poderia trazer aos seus usuários no futuro.

Uma simples pesquisa no Google pode trazer à tona coisas que para muitas pessoas deveriam ficar esquecidas no passado. Segundo a reportagem da BBC, uma pessoa transexual, morador de uma capital nordestina, aparece nas imagens publicadas na internet com a aparência que tinha antes de iniciar seu processo de transição para o gênero masculino – ou seja, ainda como uma menina. “E foi assim, dessa maneira nada sutil, que seu sogro soube de sua condição”, informa a matéria.

Nos últimos anos, quem tentava apagar sua conta dessa que foi uma das primeiras redes sociais tinha uma triste surpresa, o serviço de recuperação de senha não funcionava, pois naquela época (frase de gente idosa, eu sei) era comum criar várias contas de e-mail por causa dos diferentes provedores de internet. Quem não lembrava o seu endereço eletrônico cadastrado no Fotolog ficava de mãos atadas em busca do acesso ao serviço. Basta dar uma pesquisada no Reclame Aqui para descobrir diversas queixas sobre a plataforma, todas sem resposta da empresa responsável.

Mas claro, há aqueles que conquistaram certo sucesso na rede e conseguiram obter com o Fotolog fama e trabalho, talvez o caso mais conhecido seja o da MariMoon, que fez campanhas publicitárias e foi VJ da MTV Brasil. Muitas bandas também conseguiram manter contato com seus fãs por meio da rede e divulgar shows. É o caso do NX Zero, For Fun, Fresno e Dance of Days, entre outros artistas.

O Fotolog está muito ligado ao período emocore no país, com vários adolescentes e suas câmeras fotográficas em shows, no quarto, entre amigos e outros lugares que serviam de cenário para um ambiente mais obscuro e emocional (como a própria origem da palavra emo significa).

Muita gente que hoje não dá qualquer sinal de ter vivido essa fase na adolescência com certeza pode demonstrar alguma rejeição ao seu passado – ou talvez nem tanto. O site Elástica há pouco tempo trouxe uma matéria do Upvoted com emos de 10 anos atrás falando de como estavam as suas vidas hoje. Alguns se arrependem sobre o uso de drogas, outros ainda ouvem determinada banda, concluíram a faculdade, casaram ou já tem filhos. Ou seja, a vida seguiu e fez certas coisas ficarem no passado.

Assim, como agora, ficará no passado definitivamente o Fotolog. Não chore, ok?

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Sobre o autor

Maurício Martins

Jornalista, pai da Maria Stella, fã de quadrinhos e ficção científica. Aficionado por música, especialmente pelo punk e hardcore. Também é idealizador e editor do Nada Pop.

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