terça-feira, 14 de agosto de 2018
Nada Pop

Diário de Viagem da Der Baum: Uma banda independente na Europa

Em 2015, o casal Ian Veiga e Fernanda Gamarano, que integram a banda Der Baum, viveram por alguns meses na Europa, mais especificamente em Berlim, na Alemanha. Essa experiência, principalmente por envolver a forma como músicos independentes conseguem viabilizar seu trabalho por lá, foi fundamental para ampliar os horizontes e aprimorar ainda mais o trabalho desenvolvido pela Der Baum. Já de volta ao Brasil, pedimos para que o Ian e a Fernanda contassem um pouco sobre essa experiência e algumas observações a respeito do cenário independente de Berlim comparado a estrutura (ou falta dela) que temos em São Paulo. Muito atenciosamente o casal aceitou o convite e nos enviou seu relato que você poderá conferir abaixo. Vale citar que durante o período que o Ian e a Fernanda estiveram em Berlim, aproveitaram para produzir novos sons e até gravar o clipe de “Glasseye”, que você pode conferir acima.

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Fernanda e Ian durante making of do clipe “Glasseye” – Crédito Paola Hartfiel

Diário de Bordo Europa

Nós (Ian e Fernanda) fomos recebidos com um final de outono ameno e com temperaturas muito confortável para o que estava por vir. Nossa primeira parada, após encontrarmos nossa hospedagem, foi o Mauer Park (Parque do Muro). Lá conferimos uma cena enorme de artistas de rua que se organizam pelo parque de forma que todos tem um público. Projetos solos até bandas completas tem seu espaço aberto aqui e conseguem vender merchandise para um grande público.

Funkhaus

Por convite de nosso amigo e produtor Fred Sharf, dono do selo de música eletrônica Vox Populi, fomos fazer um ensaio e jam em um dos espaços mais impressionantes para um artista produtor como nós. O funkhaus Berlim, que além de ter sido transmissora de noticias (via rádio 1956-1990) da Alemanha Oriental, é também o maior prédio conectado do mundo. Um gigante com estúdios de todos os tamanhos imagináveis. A DER BAUM teve a oportunidade de conhecer e produzir nesse espaço que abriga artistas e residentes incontáveis.

Pré-produção vídeo clipe

O roteiro do clipe de “Glasseye” é de Paola Hartfiel que também o dirige. A escolha das locações foi a parte mais interessante pelas opções que a cidade oferece. De ruínas a construções clássicas cenários não faltaram para nossa produção. Consultando um site de lugares abandonados em Berlim descobrimos locações incríveis para o clipe e sem custo. Só precisaríamos levar luz extra o que conseguimos alugando na cidade. Com ajuda dos produtores da Jean et Marie Filmes, Micaela Trigo e Jean de Oliveira, um casal de produtores residentes de Berlim, fizemos uma pesquisa de referências e achamos a locação e equipamento certo para o projeto.

OfenBar Berlin

Esse bar foi o primeiro da cidade a responder nosso contato. Com uma programação diária de música independente esse espaço intimista coloca a plateia mais perto que nunca dos artistas. O espaço fica no bairro mais procurado e cool de Berlin, Kreuzberg. Dividimos a noite com o músico americano Mike Featherstone. Foi uma noite agradável com um público interessado e alguns amigos.

Unter Rock

Esse pub típico de Berlim fica em um dos tantos porões do bairro Kreuzberg. Com eventos todos os finais de semana o organizador e dono do espaço foi super atencioso com a banda. Esse foi nosso show com maior número de brasileiros que morando na cidade souberam do show e foram conferir. O ambiente enfumaçado criou o clima para nossa performance. Com certeza o espaço que mais lucramos com entrada e venda de produtos da banda.

Gravação do Clipe

O conceito do vídeo clipe surgiu em uma das reuniões de pré-produção com a roteirista e diretora Paola Hartfiel e alguns amigos produtores. O roteiro foi inspirado nos trabalhos de Anton Corbijn e toda a era dos clipes góticos da New Wave. Baseado também em algumas ideias que a banda já tinha criamos um conceito simples com características oitentistas assim como a própria composição.

A locação já definida na pré-produção foi o Kinderkrankenhaus (hospital para crianças em alemão) ativo desde o século passado, quando a Alemanha ainda era Prússia, e foi abandonado em meados de 1990. Além disso, pontos importantes e marcantes da cidade como Alexander Platz e a Ilha dos Museus aparecem no vídeo.

As captações foram realizadas em três diárias. Na câmera Paola Hartfiel e o assistente Javi Bona, que cuida também da luz. A edição conta com um pequeno auxílio técnico de Jean De Oliveira (Jean et Marie Films). O projeto foi produzido pelo Studio Intrínseco e editado pelo próprio Ian.

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Fernanda e Ian no Offen Bar, em Berlin – Crédito: Chris Kochenborger

Sofar Sounds Leipzig

O projeto, que é mundial, nos convidou para uma breve passagem pela cidade que promete ser a próxima Berlim em níveis de cena artística. Fomos muito bem recebidos pela equipe do projeto que nos ofereceu comida e bebida em um ambiente muito cool, uma república de artistas. Logo após a passagem de som demos uma andada pela cidade e na volta fomos surpreendidos pelo público que já chegava e cresceu muito até a hora do show. Dividimos a noite com outros dois atos, projetos locais. Apresentamos uma sequência com sons dos nossos 3 EPs que foram muito bem aceitos. Apesar da possibilidade de ficar tivemos que retornar para Berlim. Em breve no canal do projeto será lançado o vídeo oficial do nosso pocket show.

Merchandise

Nossa melhor fonte de renda junto aos caches são nossos produtos, que venderam bem e com o câmbio do momento definitivamente foi um bom negócio. A identidade visual foi muito bem criticada e aceita. Assim como todo nosso material de release que foi enviado para o promotores. Um sinal que para uma banda independente como nós foi muito importante em termos de decisões futuras sobre investimentos da banda.

De volta ao Brasil

Já de volta conseguimos completar um de nossos objetivos que era mostrar nosso trabalho ao vivo fora do país. Berlim foi muito receptiva e tanto nossas composições em inglês como português foram muito bem aceitas. O que mostra definitivamente que um espaço para bandas como a nossa existe mesmo na Alemanha. Nossos contatos foram feitos diretamente com os promoters, o que dificulta já que na Europa em geral os bookers ou agentes são responsáveis junto com os produtores das organizações dos espaços. Mesmo assim quando se tem um material bem desenvolvido e com qualidade já é possível entrar nessa cena.

Queremos agradecer a todos os envolvidos nessa aventura em terras estrangeiras. Também obrigado ao Nada Pop que é sempre um parceiro incrível.

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Sobre o autor

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Nada Pop é um espaço sobre punk, hardcore e alternativo.

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