quinta-feira, 23 de novembro de 2017
Nada Pop

Crônica ~ O sangue – Duas cenas e um desfecho

Cena 1

Na cozinha, cortando alguma coisa que não me lembro, a faca escorrega e vai certeira no dedo. VRAU! O sangue brota da pele vermelhão e forte. Uma mistura de surpresa com dor. Queria ver o sangue brotando da pele, mas ao mesmo tempo se cortar é sempre chato, doloroso e limita os movimentos por um período de tempo.

Corro para o banheiro fazer curativo, mas antes passo pelo quarto, pego um papel de aquarela e espirro o sangue do dedo sobre ele. Bolinhas vermelhas de sangue aleatórias num papel branquinho. Ficaram lá secando. Depois ficaram mais escuras, quase pretas! Guardei esse papel. Fiz isso por curiosidade, pelo aleatório… …não sei a razão que me levou a fazer isso.

Cena 2

Estava selecionando as ilustrações para levar numa feira de arte que participaria na Red Bull Station. Encontrei no meio dos guardados o papel a tela de sangue. As bolinhas aleatórias estavam lá, sequinhas.

Pensei, vou levar só pra ver o que acontece.

Para minha surpresa, ou não, quase no fim da feira um sujeito para em frente a minha banca e entre tantos desenhos que me empenhei em fazer ele escolhe o papel com as bolinhas de sangue. O diálogo foi mais ou menos esse:

– Vou levar esse aqui!

– Tem certeza?

– Sim gostei dele.

– Posso te contar a história desse desenho?

Conto do dedo cortado, do sangue e que aquilo era um desenho aleatório. Sua resposta foi:

– Agora eu quero mais ainda!

Comprou e saiu feliz com um pouco do meu sangue e uma boa história.

O desfecho

Fiquei olhando para o horizonte, aquele olhar vazio que as pessoas tem no busão lotado as 18:00, não entendia mais nada! Contei a história pro Tarek, meu companheiro de exposição e rimos um tanto, depois chegamos à conclusão que não entendíamos nada de arte mesmo.

Se você entender alguma coisa me explica, por favor!

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Sobre o autor

Rafael Moralez

Rafael Moralez é músico, ilustrador e autor da série Peixe Peludo. Conheça seu blog de ilustrações