quinta-feira, 23 de novembro de 2017
Nada Pop

Crônica ~ Black Sabbath 13 anos depois

Quando criança ouvia rock com meu irmão mais velho. Ele é oito anos mais velho que eu. Lembro de quando tinha 7 anos e ele 14, final dos anos 70, começo dos 80 e ouvia junto dele Iron Maiden, Queen, Jethro Tull, Uriah Heep, Sex Pistols, The Clash, Ramones, Rolling Stones, David Bowie, Jimi Hendrix e mais um monte de som bom. De vez em quando ele gravava uma fita cassete para mim. Colocava a música pra tocar e perguntava se eu gostava. Do alto dos meus sete anos de idade respondia sim ou não. Se a resposta fosse positiva ele gravava a música, depois de umas duas horas eu tinha uma fita cassete escrito “Fita do Rafa”. Tive sorte, com sete anos já começava minha coleção de fitas de rock. Obrigado Zeko, você não imagina o bem que me fez! (Zeko é o apelido dele.)

Meus amiguinhos de escola vinham em casa e eu colocava minha fita pra tocar, afinal tinha um baita orgulho daquele pedaço de plástico retangular rodando dentro de um aparelho, emitindo uma baita barulheira. Me recordo nitidamente de uma vez que um desses colegas de primeira série estava em casa brincando de Hering Hast (que é um Lego tosco dos anos 80) e botei o som pra rolar. Ele perguntou se tinha música de criança, respondi que só tinha aquelas fitas e todas eram de rock… …se fosse hoje responderia outra coisa, menos cordial com certeza. Mas criança é criança, ainda bem!

Quando estava já um pouco mais velho, com uns 10 anos, gravava eu mesmo minhas fitas, fuçando na coleção gigante de LP’s de rock do meu irmão. Era sempre um tiro no escuro, não conhecia muita coisa que tinha ali, mas lembro de descobrir uma bandas como The cars, The B-52s, Devo, The Vibrators, Stray Cats, Dead Kennedys e Black Sabbath… …o Black Sabbath virou a cabeça “dos avesso!”

Gosto muito do primeiro disco, aquele em que a primeira música chama Black Sabbath e começa com uma chuva caindo. Tá tocando aqui nesse exato momento em que escrevo essa crônica. Depois do som de chuva inicial tem início uma das músicas mais representativas da banda, não é a toa que leva o mesmo nome. Sonzêra!

Passaram-se os anos e eu adolescente tentei ouvir o que a banda fazia, mas sem o Ozzy para mim não é o Sabbath… …enfim fui tocando a vida até que em 2013 eles lançam um álbum chamado “13”. Esperei sedento para ouvir o Sabbath, mas eis que em uma rede social o baixista da minha banda The Bottleneck Screamers, que responde pela alcunha de Marcos “Fuzz” Rolando, escreve um post assim:

“O Sabbath novo termina como começa o primeiro, com a chuva!”

Deu vontade de matar o cidadão! Esperei quase 30 anos para ouvir algum tipo de reunião da formação com o Ozzy e ele conta o fim do disco!!!

Tô afiando a faca aqui em casa desde esse dia… …minha vingança sará maligrina!

Só tenho uma coisa pra te dizer caro Marcos “Fuzz” Rolando… …não spoleie o Sabbath novamente… …jamais repita isso!

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Ouça o disco do Black Sabbath – https://www.youtube.com/watch?v=JbmVATrKra0

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Sobre o autor

Rafael Moralez

Rafael Moralez é músico, ilustrador e autor da série Peixe Peludo. Conheça seu blog de ilustrações