quarta-feira, 22 de novembro de 2017
Nada Pop

Crônica ~ A Vila e o artista – Bad Brains por fim!

Tema 1:

Um tempo pequeno de minha vida eu convivi com alguns artistas. Todos formados em artes plásticas por boas universidades particulares brasileiras. Todos com exposições no currículo e com aquele ar de quem pisou em merda de cachorro e começa a sentir o cheiro.

Por esse breve período tentei me inserir no meio artístico-que-faz-cara-de-quem-pisou-na-merda-de-cachorro. Achava que assim poderia dar um passo adiante na minha produção. Mas não obtive sucesso. Era sucessivamente jogado para escanteio. Nada do que fazia era considerado arte. Minha música era apenas rock. Meus desenhos não tinham um “discurso por trás” (ui… …ainda bem) e minha história em quadrinhos era um gibi. Conversava com eles, mas o papo era inconciliável. O discurso era que na-minha turma-só-tem-artista-e-você-não-é, ou, de que minha produção precisa de um discurso!

Resumo: Foda-se, até que é bom ser paralelo, não ser artista e ter o pé no chão, conseguindo ficar longe do ar pomposo de quem-faz-cara-de-que-pisou-na-merda-de-cachorro. Não encontro discurso para justificar minha produção, apenas faço porque quero!

Tema 2: O filme A vila e nossa política

Há muito tempo atrás assisti ao filme A vila, do cineasta indiano M. Night Shyamalan. O cinema dele não é pesado, seus filmes são quase um conto de fadas moderno, mas me agradam assim mesmo. É só passatempo, não precisa pensar muito e isso às vezes é bom.

No filme um grupo de famílias se reúne para viver uma sociedade alternativa, com outros valores e tendo uma vida de camponeses. São organizados e comandados por um pequeno grupo que decide os destinos da vila. O lugar é cercado por uma floresta e ali habitam criaturas muito perigosas e ruins. É um conto de fadas onde os adultos escolhem viver no esquema Novos Baianos e obrigam seus filhos a serem alienados do mundo moderno sem nem saberem que esse mundo existe porque estão no meio do mato.

A relação com nossa política:

– No filme a cor boa é amarelo e o vermelho é o proibido.

– As criaturas aterrorizantes que moram na floresta vestem vermelho.

– As criaturas matam os cachorros da vila, para mostrar como não se deve brincar ou mesmo chegar perto do vermelho. O mal deve ser feito para proteger todos, mesmo que isso custe a vida dos cachorros.

– As criaturas são os próprios adultos da aldeia fantasiados que decidem o destino de toda a sociedade. O mal, por fim, está dentro da própria Vila, dentro das pessoas que queriam proteger os filhos do mal externo.

O mal era justamente as pessoas que se diziam boas!

No fim uma personagem cega decide enfrentar o perigo vermelho para salvar seu amado, ela consegue e por fim percebe-se que essa dicotomia amarelo/vermelho não vale nada, todos saem perdendo.

Resumo da crônica:

1 – Limpe a merda que seu cachorro deixa na calçada.

2 – Não seja artista, seja apenas alguém que produz porque gosta. Se alguém mais gostar tudo bem, se não gostar dane-se, continue produzindo mesmo assim.

3 – Pare de achar que quem veste amarelo, vermelho, roxo, verde é seu inimigo, estamos todos na mesma Vila… …no fim você tá afundando o próprio barco.

4 – Faça o que tiver vontade… …mas com respeito à pessoa ao lado!

Aperte o play do vídeo abaixo e ouça esse som da banda Bad Brains – I against I:

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Sobre o autor

Rafael Moralez

Rafael Moralez é músico, ilustrador e autor da série Peixe Peludo. Conheça seu blog de ilustrações