terça-feira, 14 de agosto de 2018
Nada Pop

Clan of Xymox revive clássicos do gótico no Espaço Madame

Por Ed Rock

30 de março de 2016. Local: região central de São Paulo. Mais especificamente, o Espaço Madame (antigo e clássico Madame Satã). Foi nesse lugar tão sui generis que a Paulicéia recebeu na última quarta uma das bandas de longa estrada do universo underground mundial, os holandeses do Clan of Xymox. O grupo, formando em 1983, em Nijmegen (Países Baixos) por Ronny Moorings (guitarra e vocal), Pieter Nooten (teclado) e Anke Wolbert (baixo e vocal) chegou aqui para sua primeira apresentação da atual turnê sul-americana, com shows previstos para o Paraguai, Uruguai, Chile, Argentina, Equador e Peru.

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O guitarrista e fundador do Clan of Xymox, Ronny Moorings – Crédito: Edu Rocha

De sua formação original, apenas o fundador do grupo, o carismático e comedido Moorings continua na ativa.

A noite começou com a abertura do grupo canadense Decoded Feedback, representante da cena eletrônica e industrial, que em sua apresentação mostrou, digamos, mais do mesmo, ou resumindo, um pouco de clichê de tudo o que a música eletrônica industrial já produziu. Não que não tenha qualidade por isso, mas é que o dia era reservado ao Xymox.

Numa quarta-feira de início de outono, com 24 graus à noite, o clima era muito quente e abafado no Satã (agora Madame) para se esperar por tanto tempo.

Por volta das 22h30 os integrantes do Xymox subiram ao palco. Antes de mais nada, é de se lembrar que a banda já tinha estado no Brasil em outras ocasiões (a primeira em 1999). E é de se recordar também que na época o Xymox era um grupo muito maior do que é hoje. É curioso ver como muitas bandas famosas nascem no underground e se transformam em verdadeiros ícones da cultura pop, lotando estádios e viajando o mundo, fazendo história.

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A banda Clan of Xymox no Espaço Madame, no dia 30 de março – Crédito: Edu Rocha

No entanto, outras parecem fazer questão de não crescer, no sentido da popularidade. Fazem isso em troca da fidelidade ao seu próprio público e estilo. O Xymox é uma dessas. Tocou em 1999 para um Teatro Zaccaro cheio e hoje, 17 anos depois, se contenta em lotar o Espaço Madame, com capacidade para 300 pessoas. No caso, de 300 felizardos que puderam conferir um show de qualidade, honesto e ao mesmo tempo previsível.

Qualidade porque a banda continua fazendo em alto estilo o tipo de música que sempre se propôs a fazer. Quando eu era adolescente dizíamos que o Xymox era uma banda pós-punk, e sendo mais específico, uma banda gótica ou dark. Hoje a chamam de dark wave (eu rio e me divirto com esse monte de rótulos que querem ser tão precisos e ao mesmo tempo não dizem absolutamente nada). Mas voltando, o Xymox apresentou o tipo de música sombria que sempre tocou, foi honesto (porque não tem nem como analisar a performance de seus músicos, uma vez que 80% de sua música ao vivo está embutida em uma incrementada parafernália eletrônica pré-programável) e previsível (no bom sentido) porque estava ali uma amostra de tudo o que se espera num show desse tipo, ou seja, um verdadeiro passeio pelos seus trinta e poucos anos de carreira.

Abriram com Stranger, do álbum Clan of Xymox (1985) e logo passaram para os trabalhos mais recentes como She’s Falling In Love e Love’s on diet, ambas de 2014. Mas, para quem pensaria em se decepcionar, com a ausência dos clássicos, pelo contrário, a noite foi só deles.

O ápice ocorreu quando tocaram as atemporais Moscoviet Mosquito, a tão esperada Louise e Backdoor, provando que o público da noite era formado em sua maioria por antigos e calejados fãs que acompanham a banda desde os anos 1980. Num espaço de tempo tão curto (perto de uma hora e meia de show), é evidente que sempre fica aquele gosto de quero mais, e nem sempre é possível tocar todos os hits numa única apresentação. Ficaram de fora perólas como Imagination e Michelle, só para citar dois exemplos.

O roteiro seguiu as apresentações da banda em sua turnê europeia. Encerraram com a homenagem ao eterno camaleão, senhor absoluto da música, Mr. Bowie, com Heroes. Pra mim, que nunca tinha visto o Xymox ao vivo, valeu cada centavo do ingresso. Só por isso já dá vontade de dizer: Viva o Underground!

Setlist

Stranger – Clan of Xymox (1995)
She’s Falling In Love – Matters Of Mind, Body And Soul (2014)
Love’s on diet – Matters Of Mind, Body And Soul (2014)
In love we trust – In love we trust (2009)
Hail Mary – In love we trust (2009)
Muscoviet Mosquito – Subsequent Pleasures (1984)
Emily – In love we trust (2009)
Louise – Medusa (1986)
Jasmine and Rose – Creatures (1999)
Farewell – Farewell (2003)
A Day – Clan of Xymox (1995)
Obsession – Twist of Shadows (1989)
This World – Hidden Faces (1997)
Back Door – Medusa (1986)
Venus – Kindred Spirits (2012)
Heroes – Kindred Spirits (2012)

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