sexta-feira, 28 de julho de 2017
Nada Pop

Carnaval Punk: mais de 20 bandas reunidas em show histórico no Morfeus Club

Periferia S/A

Sábado, 25 de fevereiro, ano que o movimento Punk chega aos 40 anos e continua revolucionando mentes e comportamentos ao redor do mundo… enfim, chega o dia do aguardado Carnaval Punk no Morfeus Club, que eu sabia, tinha certeza, que entraria para a história. Festival que, como todo grande evento Punk, foi cercado de algumas polêmicas, como o Punk é e sempre foi, polêmico.

Sai cedo de casa, fui buscar a guitarrista do Kaos 64 e depois busquei o organizador do show, Lucas Barnabé – da banda Filhos de Inácio -, que “é tão boy” (como meia duzia dizia pela internet) que nem dinheiro pra comprar carro tem, mas como Punk “tem que se foder”, como profetizou a Tina ha quase 40 anos, meu carro quebrou na esquina da casa do Barnabé, e nisso a Tati empurrou o carro com mais duas mulheres que nos ajudaram, até um lugar seguro pra conseguirmos ajuda… o perrengue para por aí, daí pra frente só trabalho, Punk Rock e diversão.

Cheguei atrasado e peguei só o final da banda Voz Ativa, uma banda de hardcore agressivo, rápido, de protesto, que volta depois de anos parada. Sou suspeito pra falar, além de amigo dos caras, sou fã, e não o tipo de fã por amizade, de rasgação de seda, a Voz Ativa arregaçou tudo, como era de se esperar.

Na sequência, Polêmik, banda de Londrina (PR) que segue a mesma linha de hardcore, apresentação impecável, e eu pude, enfim, ver ao vivo a apresentação deste grupo que venho acompanhando seus trabalhos, e que gosto muito, passo a gostar ainda mais.

Flyer do Carnaval Punk 2017

Situation Nine, banda nova de figuras já carimbadas do rolê punk, ótimos músicos. Na sequência a banda de Punk Rock oitentista Sub Existência, também ótimos músicos, ótimas canções, uma cozinha tecnicamente impecável, e o Walter… uma figura à parte, monstro, “mili anos” somando de forma brilhante, puta show. Seguindo o festival, outra banda nova, Tarja Preta, punks ativos na cena, seguem uma linha de protesto mais esquerdista.

Os Mandriões, outra banda de protesto com uma linha ideológica que se aproxima mais da esquerda, banda batalhadora, boas canções.

Com a banda Maldita Ambição, de Santos (SP), volta a linha hardcore, ótima banda e sempre com ótimas apresentações. Head Bones, banda de punk rock de Rio Claro, uma performance foda, primeira vez que vejo essa banda ao vivo, muito bom. Lokaut é uma banda foda demais, galera com uma história foda dentro do movimento, fez uma ótima apresentação. DOPS, banda de Belo Horizonte (MG), segue uma linha de hardcore com influências do HCNY, hora rápido, hora mais pesado, somam e muito na cena. Pé Sujus agitou muito a galera presente, punk rock, banda que também soma muito no movimento. Amnésia Coletiva, banda foda de Jacareí (SP), também grandes articuladores de eventos na cena punk.

Banda Kaos 64 – Foto: Eclenir Fotografia

Na sequência Hardcore Por Ódio, banda sensacional, tive o prazer de tocar com eles por alguns meses, ótimos músicos, ótimas pessoas, e não digo isso pela amizade não, a apresentação deles é fantástica, adoro a banda. Filhos de Inácio, outra banda que sou muito fã, a formação atual está perfeita, arrepiaram, eles tem uma puta presença de palco e um som sensacional, destruíram tudo, como de costume e agitam a cena como ninguém. Em seguida, uma das bandas que eu mais gosto, que eu mais escutei nos últimos anos, Dependentes Químicos, de Guarulhos (SP). Confesso que fiquei meio arrependido em não encarar o convite pra tocar com eles, mas porra, eles poderiam morar mais perto da minha casa né? Tipo na China, porque Guarulhos é tão longe quanto Netuno… sou muito fã desta banda, letras magníficas, sons espetaculares, e o novo baixista é um cara gente boa, que ficou nítido que veio pra somar e muito com esta banda.

Na sequência Kaos 64, primeiro quero agradecer a compreensão de terem trocado a ordem da banda com o Esgoto, nosso baterista além de ter tocado com o Sub Existência, tinha horas depois da apresentação uma viagem de carro pra Santa Catarina, onde tocou com sua outra banda. Se punk tem que “tomar no cu” como profetizado lá no começo pela Tina, baterista toma duas vezes. Azar o deles, eu sou baixista, to nem aí com essa raça (rsrsrs). Eu não sei dizer como foi a apresentação, só senti o atropelo, e fiquei em dúvida se vinha dos meus companheiros de banda, ou se o atropelo veio do público, obrigado galera, de coração.

O atropelo seguiu com a banda Lobotomia, classiqueira total, ótimos músicos, metal punk impecável. A classiqueira segue com DZK, maior banda punk da história de um dos maiores celeiros do Punk Rock, o ABC Paulista. O pogo garantido do começo ao fim. Pacto Social, do Rio de Janeiro, outra banda clássica que teve um problema com o baterista que não estava presente, como andei tocando baixo e guitarra com eles no Inferno (SP) e em Maricá (RJ), eles me pediram pra segurar na batera, mas nem de baterista eu gosto, imagina tocar então (hehehehe), e de última hora o Babão quebrou um galho, fizeram um set reduzido, mas tocaram seus grandes clássicos, agitou muito a galera.

Repudiyo, banda do Paraná, segue a linha grindcore, agitou geral. Esgoto, outra banda que eu sou muito fã, banda oitentista, Punk Rock de muita atitude, de quem vive o Punk, como é foda ver estes caras em ação, me arrepiou, vida longa Esgoto, banda foda pra caralho.

Olho Seco – Foto: Eclenir Fotografia

Periferia S/A, banda com um ótimo baterista e com duas lendas do Punk mundial, Jão e Jabá, sensacional, baita apresentação. Invasores de Cérebros, quebraram tudo, o novo baixista é figura carimbada, anos de rolê na vertente do hardcore melódico, e ver ele em ação numa banda punk é sensacional, porque o considero um dos melhores baixistas, além de um cara sensacional. Invasores de Cérebros, sempre foi uma de minhas bandas prediletas mundialmente falando, são meus amigos e eu tive o privilégio de fazer parte desta família por um tempo, vida longa a essa banda.

Pra fechar, uma banda mundialmente clássica, Olho Seco. Fabião é uma lenda, espero que ele encontre saúde e incentivo pra continuar por muito mais tempo.

Em São Paulo vi muitos carros de polícia pra todo lado, pois era sábado de Carnaval, e a segurança dos foliões tinha que ser praticada, vimos vários negros e pardos tomando geral pra todo lado, e muito branco puxando mulheres pela blusa como faziam os homens da caverna, brancos cheirando pó ao lado da polícia, como se fossem imunes a sansões, não sei por que me veio na mente um cara que quase foi presidente recentemente, não que o considere pior ou melhor do que o lixo que lá estava ou o que está agora, e isso faz de mim um simpatizante do anarquismo, não um pelego “anarco petista”, moda que anda em alta, infelizmente. A alegria foi constatar que os cães do governo não foram nos incomodar em nosso “bloco” punk, e é aí que quero agradecer a todos os grandes gestores da cena, os PUNKS, que deixaram como sempre em nossos eventos, suas desavenças de lado, respeitando assim, todo o corre do evento, bem como o movimento Punk como um todo, sem polícia e sem a ajuda de prefeitura ou seja lá qual merda que nós, consideramos como inimigos, podemos provar pra quem ainda duvida que a autogestão é mais que possível, é uma realidade, que precisa mais do que nunca ser praticada e zelada.

O melhor momento, dentro de vários momentos maravilhosos, foi o segurança do evento, que foi erroneamente julgado por alguns como polícial, verme e etc… próximo do final do evento, ele subiu ao palco e pediu a palavra, disse emocionado que a partir daquele dia ele era mais um punk. Seja bem vindo irmão, ÊRA PUNK!

Um brinde aos 40 anos de movimento Punk, que nunca há de morrer, a salvação e maior sentido de nossas vidas. Valeu Barnabé, valeu Morfeus, valeu família Punk.

Invasores de Cérebros – Foto: Eclenir Fotografia

Lucas Barnabé (organizador e vocal do Filhos de Inácio): Carnaval Punk pra mim foi como um filho, meu segundo filho, tudo criado, idealizado, organizado, divulgado para melhorar a cena, trazer de volta o que nunca deveria ter perdido que é o punk pode estar em todo lugar, todos os bairros, pode ser de qualquer cor, de qualquer classe social, a união, o respeito, a paz entre nós só faz que nós tenhamos mais vontade de organizar mais eventos para mostrar para todos que o Punk Rock pode se destacar e ser tocado em lugares melhores, pode ser melhor executado. No meu ponto de vista, estou aqui pra incomodar, pra questionar, não faço nada sozinho, preciso do apoio de todos pra fazer virar, a punkaiada que cola, que agita, sem vocês não tem gig, estou muito feliz por ter organizado dois grandes festivais, os dois foram muito além do esperado, graças ao Lemmy e ao GG Allin que estão no céu (hahaha). As bandas destruíram, arregaçaram, uma melhor que a outra, ,24 bandas sem parar, foi maravilhoso. A equipe de montagem representou, Quinho, meu irmão, Babão, mestre, toca comigo no Filhos, vou falar mais o que? Cada show contou sua história, fez seu protesto e tocaram pra caralho, ficou para a história, você olhava para um lado estava o Grego, do outro o Jão, ali o Ariel, depois o Barata, depois Nivaldo, depois Barata, aí o Fabião do Olho Seco e o Esgoto chegou, fudeu tudo, aí o Jabá em cima, Xines, fora Garú, Lecão, Rodarte, Feio, Redys, Lobinho, Sossai, Úlcera, Maurão, Zé Luiz, Tati, Monica, Katia, Marcia, Edwiges, Waltão, Wlad, e por aí vai. Todos juntos pra fortalecer a cena Punk. Julião e Erick que arregaçaram nas pickups, só sonzeira pesada, monstra, mestres nas pickups, as bandas de materiais Punks, só artigo foda, enfim, Carnaval Punk entrou para minha história e fiz com amor, com vontade, e continuarei fazendo, sempre pensando em vocês Punks, que são minha vida. Agora é pensar no próximo, Arraiá Punk, dia 24/07, um sábado, no Morfeus Club às 17h. FDI, a firma não para, rules, boooommm!

Monica (Lokaut): Meus brothers, pra mim é um privilégio. O festival foda! Foi polêmico, com divergências de opiniões, com mudanças necessárias, por que não? Segurança nunca é demais, a organização foi muito boa, acompanhei desde o início a boa vontade e empenho, o cuidado de todos, o calor humano naquele subterrâneo ultrapassou os 1000 graus, todos simplesmente enlouqueceram com o propósito de curtir, aliás, devo dizer que em todos esses anos nunca senti tanta recepção, arrisco a dizer que foi a melhor! Muito obrigada por ter esse prazer inigualável, beijos!

Renato 77 (Hardcore Por Ódio e Invasores de Cérebros): Na comemoração de 40 anos de Punk, mais uma vez uma noite histórica para o movimento no Brasil. Mostrando que depois desse tempo todo temos muito a dizer ainda, particularmente me sinto muito feliz em contribuir tocando em duas bandas, no Hardcore Por Ódio e nos Invasores de Cérebros, essa é umas das minhas pequenas contribuições, pra coisa que mudou minha vida, e a de muitos, pra sempre.

Godzilla (Esgoto): Um bom som pra reunir o pessoal das antigas, e ver a juventude se unindo com respeito e muita energia pra prestigiar o punk. Nós, da família Esgoto, só temos a agradecer pelo convite, a todos que trabalharam e tornaram possível esse evento. Sabemos como a cada dia é difícil encontrar um bom pico que abra as portas e que nos deixe expressar, protestar e curtir. O som que reuniu bandas das antigas trazendo todo sua história e atitude, até bandas mais novas que é o futuro do punk rock. Punk not dead! É em som como esses que vemos que a cena punk está aí, viva, e para que continue, precisamos mostrar a essa galera que não é só confusão e brigas que se faz o punk. É com atitude e respeito!

Ariel (Invasores de Cérebros): Carnaval no centro de São Paulo, com 24 bandas de amigos e uma estrutura legal, que privilegiou vários estilos dentro do punk rock, merece realmente os parabéns. Pessoas que realmente fazem a cena, interagindo e ajudando a fortalecer quem estava na organização. Perfeito. Alguns atrasos por imprevistos que deveriam ser previstos, mas até aí, não comprometeu o todo e tudo foi realmente bem louco! Tamo junto e cuspindo fogo!!!

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Sobre o autor

Fábio Rodarte

Fábio Rodarte é colaborador do Nada Pop e integrante da banda Kaos 64.