terça-feira, 24 de outubro de 2017
Nada Pop

Cadu Pelegrini: nova banda StormSons, shows, Rock in Rio, lançamentos e covers

É muito fácil criar uma imagem preconcebida de pessoas e bandas, muitas vezes deixamos de conhecer o trabalho de alguns grupos apenas por acreditar que o mesmo não tem nada a ver com a gente ou, pior ainda, porque determinado integrante é alguém com o qual não nos identificamos.

Quando o Mateus Schanoski, integrante da banda StormSons, e meu ex-professor de teclado (sim, tentei tocar teclado, quem sabe um dia consiga…), me pediu uma resenha sobre a sua nova banda junto com o Cadu Pelegrini, o meu primeiro pensamento foi: “Mas o quê? O que diabos poderia dizer sobre uma banda dessas?”. Tá vendo, nem tinha ouvido a banda e já estava me deixando levar por certos preconceitos. Foi então que pensei: “que tal um entrevista de verdade com o Cadu Pelegrini e entender, pelo menos um pouco, como pensa a cabeça de um cara que tocou no Rock in Rio com a Kiara Rocks e esteve tão perto de estourar com sua banda pelo Brasil e que, um tempo depois desse show, entraram num hiato que fez o grupo sumir dos holofotes”.

Não estamos aqui para fazer julgamentos e muito menos “fofocar” sobre o que aconteceu, além de falar um pouco sobre a nova banda do Cadu, a StormSons, também era do nosso interesse compreender como certas coisas funcionaram na sua vida e como é viver de rock no país do samba e enfrentar certos esterótipos criados na cabeça de muita gente a respeito do seu trabalho, tendo que lidar com isso diariamente e continuar tocando e sem desistir da música. O papo com o Cadu abaixo demorou para ser realizado, realmente pegamos um pouco “pesado” com algumas questões, mas o resultado final foram respostas que consideramos honestas e que nos ajudam a entender um pouco melhor sobre o rock realizado por outras vertentes do estilo que estamos tão acostumados a falar por aqui no Nada Pop.

StormSons no Inferno Club – Foto: Faerie

Sobre a StormSons

A StormSons é uma banda que surgiu em 2015 e faz um storner metal com fortes influências de Black Sabbath, Pantera, Metallica, HIM e Depeche Mode. O resultado do seu primeiro EP, intitulado “555”, é uma mistura de peso, riffs poderosos e letras que giram em torno do misticismo e ocultismo que lembram Aleister Crowley e o americano, considerado o rei do terror, Edgar Allan Poe.

Formada por Cadu Pelegrini (Kiara Rocks/Corazones Muertos) nos vocais, Bruno Luiz (Command 6/Supla) na guitarra, Henrique Baboom (Supla) no baixo, Mateus Schanoski (Tomada/Golpe de Estado) nos teclados e Rodrigo Abelha (Rock.com) na bateria, o supergrupo (porque todos os músicos, além de experientes também são “mestres” em seus respectivos instrumentos) conseguem fazer um EP coeso e forte artisticamente capaz de agradar fácil admiradores do estilo stoner, metal e southern rock e mais pessoas além desses estilos.

O EP, lançado digitalmente em 2015, foi gravado nos estúdios Midas e Toque Final Mastering. Em seguida, foi mixado e masterizado por Henrique Baboom. A produção é assinada pela própria StormSons e Henrique Baboom. Em junho deste ano a banda foi convidada para abrir o show da banda escocesa Nazareth em São Paulo, o que ampliou o nome do grupo e a atenção para o trabalho.

Confesso que senti mais prazer em ouvir StormSons do que a Kiara Rocks e acredito que isso seja pelo fato do Cadu não estar com a voz tão parecida com a do Scott Stapp (Creed) no EP “555”. O mais provável para esse favorecimento seja o aperfeiçoamento e amadurecimento vocal do Cadu, aliado com a liberdade musical que a banda parece ter permitido ao Cadu para se focar nas composições e criação das linhas de voz.

Abaixo a nossa conversa com o Cadu e os dois clipes já lançados pela banda “Hollow Man” e “The Rite”, sendo o último lançado no dia 6 de dezembro e que mostra de forma intensa esse lado do misticismo e ocultismo do grupo.

Abra a sua mente e leia na íntegra o nosso papo e aproveite para ouvir a StormSons. Se gostar, curta a página da banda acessando o link: www.facebook.com/stormsons

StormSons no Inferno Club – Foto: Faerie

NADA POP ENTREVISTA CADU PELEGRINI – STORMSONS

NADA POP – O StormSons surgiu em 2015 e recentemente, durante uma entrevista da banda para a TVBrejada, você comentou que os erros cometidos em outros projetos musicais não seriam cometidos novamente por vocês na StormSons. Afinal, que erros são esses?

CADU PELEGRINI: Todos da StormSons já vem de outras bandas que passaram por diversas experiências, seja dentro ou fora dos palcos, na convivência com outros integrantes e até mesmo como se portar em redes sociais. De cada experiência se tira algo bom e ruim. Estamos tentando não repetir as experiências que de alguma forma não deram certo e fazer com que a harmonia e democracia prevaleça na banda. Pra que não precisemos trocar de formação, criar atritos e outras coisas que acabam prejudicando uma banda e seu trabalho.

NADA POP – Gostaria que você comentasse a respeito de como surgiu o nome da banda e as diferenças que a StormSons possui em relação aos outros projetos que você integra. Sei que todos os músicos do grupo fazem parte de outras bandas e fique à vontade para citá-las também.

CADU PELEGRINI: O nome veio de uma lista imensa que eu estava pensando pra esse novo projeto e por meio de votação StormSons ganhou. O nome parecia transmitir o que queremos passar: ocultismo, misticismo e todo o conceito visual. A StormSons tem uma proposta diferente de todos meus outros projetos, tenho mais liberdade pra poder criar algo mais pesado e denso, o que eu já queria faz tempo. Todos da banda criam e acaba ficando mais leve pra eu poder me concentrar unicamente nas melodias e letras.

Na Kiara eu crio parte do instrumental, riffs, tenho uma linha de batera na cabeça já enquanto crio uma música, letras, logos, marco shows e etc. Acaba ficando uma responsabilidade muito maior já que tenho que cuidar de quase tudo e preciso me dividir em muitos.

Na Corazones Muertos eu apenas toco guitarra e faço backing vocals, Joe Klenner, o vocal, cria a maioria das músicas e letras. Eu, no momento, colaboro com alguns riffs e linha vocais nas musicas novas. É uma banda de rock n roll muito divertida pra se conviver e tocar.

Neste ano a StormSons lançou fisicamente o EP “555”.

NADA POP – Acredito que para muitas pessoas a sua imagem esteja automaticamente ligada com o show da Kiara Rocks no Rock in Rio. Houve elogios e críticas de todas as partes. Penso que vocês foram, de certo modo, a banda de rock que mais se adorou odiar nos últimos anos. Mas afinal de contas, o que impediu a banda de se tornar um dos principais nomes do rock nacional depois dessa apresentação no RiR?

CADU PELEGRINI: Eu realmente não sei responder isso. Sei que existe muito preconceito quanto a som cantado em português no Brasil. Principalmente no meio do rock. Muita gente que nem escutou o som, já prefere xingar ou citar algo que incomoda no visual porque viu uma foto ou perguntando “quem são eles pra estarem ali? Não são famosos”. A cultura do ódio existe infelizmente. Muito normal por aqui você “odiar” (o motivo não importa) uma banda e ter que mostrar isso pra todo mundo. É uma pena. Quem perde é o próprio público, que não percebe que fazendo isso está fechando as portas pra artistas de seu próprio país, que canta na língua que ele entende. Tem muita banda e artista legal aqui no Brasil que mereciam estar no mesmo lugar de grandes nomes internacionais. São tão bons quanto e merecem o mesmo respeito. E antes que leiam e me xinguem… não estou falando de mim, ok? rs

NADA POP – Certa vez você disse que quanto mais uma banda é admirada, mais ela também é odiada. Quero aproveitar esse gancho para saber como é a sua relação com a internet e se acredita, assim como o Umberto Eco, que ela é muitas vezes porta voz dos imbecis.

CADU PELEGRINI: Eu aprendi muito com o tipo de atitude que eu tinha tempos atrás. Não foi o certo e admito. Mudei e tudo melhorou. Eu rebatia e tentava explicar e argumentar com pessoas que muitas vezes sabiam que eu fazia isso e tentavam de tudo pra me provocar até que algo polêmico seja dito ou alguma briga que não levava a lugar nenhum começasse e criasse dois times: o dos haters e dos fãs e amigos. Na maioria (todas) das vezes não chegava a lugar nenhum. Hoje em dia uso redes sociais unicamente pra divulgar meus trabalhos ou publicar algum vídeo besteirol engraçado. Eu recomendo, minha vida está BEM melhor agora.

NADA POP – Você viveu os dois lados da moeda como banda independente e como banda com gravadora. O que foi bom desse período de contrato assinado com a Substancial Music e, claro, o que foi ruim?

CADU PELEGRINI: Hoje em dia não sei se tem tanta diferença ser independente ou de uma gravadora. Com a internet ao alcance de todos e muitas outras ferramentas que podem ser exploradas pra divulgação, se você planejar toda sua estratégia pra que seu som chegue nas pessoas certas, sendo independente você terá maior autonomia sobre sua música e consequentemente maior controle sobre seu material e como lucrar com ele. Claro que grandes gravadoras podem ajudar e muito, mas pra chegar nelas você precisa estar pronto e preparado. Eles, antes de fechar, vão querer saber se você já tem uma base de fãs e estrutura já organizada pra passar pra outro nível de profissionalismo.

NADA POP – Hollow Man foi o primeiro clipe do StormSons e agora existe a previsão do segundo clipe de vocês (The Rite). O teaser revelou um clima bastante sombrio e até com referências ao ocultismo. O que dá para adiantar sobre o clipe?

CADU PELEGRINI: O segundo clipe estreou dia 6. Fizemos uma enquete pra saber qual música estavam mais gostando do EP e a The Rite foi a escolhida. Fizemos o clipe pra representar visualmente o que a letra e o clima dessa música quer transmitir. StormSons é muito baseada em ocultismo, Aleister Crowley e etc. Quem assistir vai sacar na hora.

NADA POP – E sobre o novo disco da StormSons, o que dá para adiantar também sobre esse próximo trabalho? Já tem nome, número de faixas ou até, quem sabe, participações especiais?

CADU PELEGRINI: O disco novo vai ter 10 músicas inéditas e uma cover do Depeche Mode. Estamos na pré produção, mas já adianto que vai ser bem pesado, denso e místico. Vai ter uma dinâmica que varia entre baladas épicas e sons mais rápidos e pesados. Quem gostou do 555 com certeza vai se impressionar. Quanto a participações especiais vou manter o suspense, rs. Mas vão ter sim!

NADA POP – Cadu, é algo um pouco delicado, mas gostaria de entender os motivos que levaram a sua participação no programa X Factor Brasil. Mesmo com o seu histórico com outro programa, o Astros, acredita que esses programas estão realmente interessados em música?

CADU PELEGRINI: O motivo de participar de certos programas é a possibilidade de aparecer numa rede nacional de TV com grande visibilidade e reverter isso positivamente. Mas não sei se gostaria de falar sobre isso nessa entrevista. tudo bem? A edição me prejudicou muito e trataram roqueiros como um estereótipo… ah deixa pra lá.

NADA POP – Muitas bandas com som autoral alegam que espaços valorizam mais bandas covers e não dão espaço para bandas novas, fora o pouco público em alguns shows de bandas independentes. Você acredita que covers podem realmente “roubar” espaços de bandas novas? E qual a participação do público nesse contexto?

CADU PELEGRINI: Não são as bandas covers as culpadas, já que eles estão prestando tributo as bandas que gostam e tenho muitos amigos que vivem disso e fazem com amor mesmo… A culpa mesmo é do público, que lota esse tipo de evento e o dono do bar que precisa pensar comercialmente acaba chamando mais essas bandas do que uma de som autoral, que na maioria das vezes a galera não comparece e torce o nariz pra pagar um ingresso de 10, 15 reais. Então vira um ciclo que fica difícil quebrar. Mas esse termo de cover roubar espaço de som autoral, não concordo.

NADA POP – Afinal de contas, dá para viver de rock no Brasil? O rock compensa todas as dificuldades, por quê?

CADU PELEGRINI: Eu vivo de rock no Brasil há 15 anos e não me arrependo de nada. É muito difícil sim, engolir sapos, dormir pouco, ganhar pouco, não ser valorizado. Mas se você ama o que faz… por maiores as dificuldades e obstáculos no caminho… você vai passar por cima e seguir em frente. Uma hora seu esforço e trabalho duro vai ser visto e recompensado de alguma forma. “It´s long way to the top if you wanna rock n roll”…

NADA POP – Gostaria de agradecer o papo. Por favor, faça as suas considerações finais. Deixe seu recado para quem admira seu trabalho, para quem conhece pouco sobre você e, claro, para quem não gosta de você (mesmo que nem te conheça direito). 

CADU PELEGRINI: Muito obrigado aos meus fãs de verdade que sempre me ajudaram desde o começo e que estão comigo até hoje e também aos meus amigos que valorizo tanto.

Pra quem não gosta de mim… me dê uma chance e abra seus ouvidos. Alguma coisa você vai acabar gostando. Mas antes de mais nada a única coisa que peço, não só pra mim, mas pra qualquer outro estilo musical ou pessoa, seria respeito. Se a pessoa está apenas trabalhando sem fazer mal pra alguém, sem incomodar, apenas respeite e deixe-o trabalhar. A vida de todo mundo vai ficar melhor.

E muito obrigado NADA POP por me reservar esse espaço. E desculpe a demora. Abraços e Rock N Roll!

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Sobre o autor

Maurício Martins

Jornalista, pai da Maria Stella, fã de quadrinhos e ficção científica. Aficionado por música, especialmente pelo punk e hardcore. Também é idealizador e editor do Nada Pop.