terça-feira, 20 de novembro de 2018
Nada Pop

BUFALO lança novo álbum e conta detalhes sobre “Pareidolia”

Na última segunda-feira (8), a BUFALO disponibilizou para streaming o álbum “Pareidolia”, com sete faixas que trazem uma sonoridade noise rock, post-punk e doses de stoner que navegam e conversam entre si numa viagem digna de trilha sonora para filmes de ficção científica.

Longas como “Contatos Imediatos de Terceiro Grau”, “Os Doze Macacos”, “Blade Runner”, “Laranja Mecânica” e até um dos mais recentes do gênero, como “Interstellar”, são fáceis de assimilar com as faixas “Suando Febre”, “Estradas”, “Ancient”, “A Fé e a Espada” e “Planalto”.

A própria música título do álbum (Pareidolia), tem em sua introdução um estilo meio “Odisseia no Espaço”. Isso, segundo o próprio guitarrista Marcus Ariosa, possui certa relação com o disco, principalmente na escolha do nome para o trabalho.

“A musica Pareidolia foi umas das primeiras que fizemos para o disco e ela acabou servindo de gancho para amarrar o disco todo. Eu sempre gostei de ler a respeito de missões interplanetárias e especulações diversas sobre o espaço, esse termo é bastante comum em discussões sobre evidências de vida fora da Terra, pessoas encontram em fotos na Lua ou Marte o que elas acreditam serem evidências de outras civilizações. A NASA sempre justifica dizendo se tratar de pareidolia, que é basicamente a mesma coisa, por exemplo, de quando enxergamos uma forma em uma nuvem ou um rosto em uma tomada. Comecei a imaginar como seria uma pessoa que ficasse perdia no espaço muito tempo, ela começaria a não saber mais o que era real e o que era pareidolia e como isso iria influenciar as suas emoções e sanidade mental”, explica.

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Capa do álbum “Pareidolia”, da BUFALO, feita por Paula Padilha.

Nascida no ABC Paulista, precisamente em São Bernardo do Campo, a BUFALO existe desde 2008. Antes de “Pareidolia”, a banda já lançou os trabalhos “Cidademata” (2008), “Um pedaço de bife” (2009) e “Pontes” (2015). Esse penúltimo trabalho, com 10 faixas, está entre os álbuns mais interessantes do ano passado, reverberando o nome da banda e do próprio ABC para mais longe.

Formada atualmente por Marcus (vulgo Fumaça) e Rafael nos vocais e guitarras, Buda no baixo e João na bateria, o quarteto pertence a uma das regiões de São Paulo onde a cena musical independente é bastante variada, com diferentes grupos que se diferenciam e, ao mesmo tempo, se destacam.

“Meus amigos mais próximos todos tem banda e nenhuma delas se parece. Em um rolê qualquer daqui você vai ver uma roda de amigos que um toca jazz, o outro reggae, o outro trash metal e por aí vai”, comenta Marcus.

Em 2012, participaram da coletânea “Cão Faminto”, que reuniu cinco bandas do ABC (Giallos, Projeto Nave, Otis Trio, Marco Pablo e a própria BUFALO). O álbum foi lançado em vinil, sendo o primeiro registro da banda com letra, sendo as faixas “Na encruzilhada” e “Morto Andando”.

No início da formação da banda não existia o pensamento em letras, as músicas eram mais riffs que se desenvolviam de forma improvisada. Os dois primeiros trabalhos da BUFALO, por exemplo, são totalmente instrumentais. Mesmo não sendo algo pensando, funcionou bem para o grupo que chegou a ser indicado, lá pelo ano de 2010, no concurso “Novos Nomes” da MTV Brasil, na categoria instrumental. A banda também participou do Festival PIB (Produto Instrumental Bruto) durante o mesmo ano.

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O quarteto da BUFALO reunido – Foto: divulgação

Quando questionados sobre as influências do grupo, Marcus fala que prefere conversar muito pouco ou quase nada a respeito disso com os amigos de banda. Assim, evitam comparações e conseguem se desvencilhar de certas semelhanças musicais com essas referências durante a composição. No entanto, as bases musicais de cada integrante são bem definidas com diferentes fontes de inspiração.

“Nós todos temos uma base musical bem parecida, todos nós começamos na cena punk/hardcore dos anos 90 e ao longo dos anos cada um foi absorvendo fontes diversas de inspiração. O Buda, por exemplo, bebe muito na fonte do afro-beat, já tocou no Bixiga 70 e hoje em dia arrebenta com o Kubata”.

Mesmo com o lançamento do excelente “Pareidolia”, é difícil não compará-lo ao “Pontes”, ainda mais com a diferença curta, em certo modo, do tempo de lançamento de ambos. Lançado no ano passado, “Pontes” foi a primeira gravação realizada pela banda em estúdio que até então só havia gravado de forma caseira. O registro, feito no estúdio Space Blues, contou com a participação de Cláudio Cox (Giallos), Arnaldo Tifu, Dj b8 (ProjetoNave) e Bio Bonato (Ba Boom, Nomade Orquestra). A mixagem e masterização foram concluídas pelo próprio Marcus em suas horas livres no trabalho.

Em relação ao “Pareidolia”, a gravação foi algo meio nômade, gravaram a bateria e o baixo no estúdio Fábrica de Sonhos (SP), as guitarras no estúdio Bambo (São Bernardo do Campo) e os vocais na casa do Marcus, que teve estúdio durante 4 anos e que atualmente, além de trabalhar com edição de vídeo em uma produtora, também atua com mixagem e mesa de som em shows. A mixagem foi feita pelo próprio Marcus e a masterização do disco foi feita no estúdio FlapC4.

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Apresentação da BUFALO – Foto: divulgação

“No Pareidolia nós estávamos em uma época em que estávamos tocando bastante ao vivo, iniciávamos uma ideia no ensaio e íamos desenvolvendo nos shows, tocamos varias músicas ainda sem os vocais eu terminei a última letra do disco dois dias antes da masterização”, conta.

Marcus ainda explica que o “Pontes” era um disco mais variado, com a ideia inicial de ser lançado em quatro partes, mas que optaram por divulgá-lo completo. Já no “Pareidolia” tentaram dar uma unidade maior ao trabalho, como se todas as músicas fizessem parte de uma mesma história.

A arte de “Pareidolia” foi feita por uma grande amiga da banda, a Paula Padilha, que acompanha os shows da BUFALO desde o início. Um dia comentou que ficaria feliz em fazer uma arte para o grupo. Assim, após passarem a ideia do disco e das letras, Paula sintetizou tudo numa imagem. “Ninguém teria feito melhor”.

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Festa Engrenagem, a primeira em parceira dos selos Howlin, Sinewave e Midsummer Madness. Será neste sábado (13), no Backstage Bar. Clique na imagem para ser direcionado para a página do evento no Facebook.

Marcus ainda explica, quando questionado sobre a relação do público nos shows com a própria banda, que procuram ter uma relação de amizade, num clima de diversão e troca de experiências. “Sempre incentivo as pessoas que gostaram do show a vir conversar com a gente depois, é a melhor parte de todo o processo”, diz.

Os shows também estão acontecendo de forma que a BUFALO tem considerado bem positiva para o grupo, com bandas que também gostam. O intuito agora é desbravar o interior de São Paulo e visitar outros estados.

No próximo sábado (13), por exemplo, fazem o primeiro show de lançamento de “Pareidolia” na Festa Engrenagem, a primeira em parceira dos selos Howlin, Sinewave e Midsummer Madness. No dia 27 desse mês lançam o álbum com os amigos da Vapor, na Casa do Mancha. Link do evento: http://migre.me/uC1Km

A BUFALO integra o casting do selo Howlin Records, que tem em seu catálogo bandas como Blear, Chalk Outlines, Loyal Gun, Sky Down, Vapor, além de outras excelentes bandas.

“Depois que entramos para a Howlin Records a nossa relação com as bandas de São Paulo melhorou bastante, temos trabalhado no intuito de nos conectarmos com bandas de todos os lugares e trazê-los para o ABC também”.

Após ouvir “Pareidolia”, navegue com a BUFALO em outras viagens musicais. É possível começar curtindo a página da no Facebook: www.facebook.com/bufaloface

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Sobre o autor

Maurício Martins

Jornalista, pai da Maria Stella, fã de quadrinhos e ficção científica. Aficionado por música, especialmente pelo punk e hardcore. Também é idealizador e editor do Nada Pop.

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