quarta-feira, 17 de outubro de 2018
Nada Pop

A escatologia incrível de Marcatti e o relançamento da HQ com o Ratos de Porão

São mais de 30 anos de escatologia! Assim podemos começar esse papo sobre Marcatti. O cartunista politicamente incorreto ou, como ele mesmo diz, autor de “histórias em quadrinhos de gosto duvidoso”.

Se você não leu qualquer HQ do Marcatti, está perdendo a chance de conhecer um dos maiores artistas independentes do país, com histórias absurdas, doidas e que, caso você seja uma pessoa sensível, deve ficar bem longe mesmo. Mas a natureza da sua arte é humana, irônica, ácida e muito característica. Dificilmente, depois de ter contato com o seu trabalho, você irá esquecer o seu traço, ficará sempre marcado na memória.

Já lançou dezenas de HQs, criou personagens icônicos como o Frauzio, livros, além de também se envolver com a música de diferentes formas. Teve uma banda de blues e fez trabalhos com outras bandas, sendo responsável por suas capas.

A parceria que mais gerou frutos entre o seu trabalho e a música foi (e ainda é) com o Ratos de Porão. Macartti é responsável pelas capas dos álbuns “Brasil”, “Anarkophobia”, “Só Crássicos” e “No Money No English”.

Além disso, em 1992, junto com o João Gordo, produziu HQs em que os integrantes da banda eram os personagens principais, todos transformados em ratos. A primeira edição da revista (números 1 e 2) saiu em 1992. Neste ano (2016), 24 anos depois, a primeira edição dessa HQ foi relançada, colorida e traz mais algumas novidades para alegria de muita gente, assim como nós, que esperou por muito tempo para ter finalmente essas HQs em mãos (eu tenho a edição número 2, nunca consegui achar a número 1).

Confira nossa entrevista com o Marcatti e depois não deixe de assistir a entrevista concedida para o João Gordo, no programa Panelaço, logo no final da entrevista.

NADA POP – Por favor, conta como surgiu a ideia da HQ com o Ratos de Porão.

MARCATTI – O primeiro número saiu em janeiro de 1993 com as três HQs produzidas em novembro de 1992. Foi extremamente produtivo e agradável trabalhar com o João Gordo na criação das capas dos LPs “Brasil” e “Anarkophobia” (1989 e 1991, respectivamente). E foi essa parceria que estimulou o projeto da revista. Conversei com o João em outubro de 92 e foi dele a ideia de fazer os membros da banda na forma de ratos.

NADA POP – Pera aí, eu lembro de duas edições apenas. Essa terceira foi publicada onde?

MARCATTI – A número 1 teve 3.000 exemplares e foram distribuídos exclusivamente na Galeria do Rock. Esgotaram em dois meses. A número 2 saiu por uma editora e os 20 mil exemplares foram distribuídos em bancas no país todo. A número 3 não existe ainda. Será criada, produzida e lançada se tudo der certo.

NADA POP – E como surgiu o contato com o Gordo e como foi o processo de criação das HQs?

MARCATTI – Já nos conhecíamos, em meados da década de 1980, da cena hardcore e punk, mas nos tornamos amigos quando o João me chamou para fazer a capa do “Brasil”.

Trabalhamos na revista do mesmo modo que nas capas dos discos… Conversávamos por horas fazendo todo tipo de anotações e rabiscos das ideias que surgiam. Então eu voltava para casa e fazia os roteiros de forma muito rápida, pois cada detalhe de cada HQ já havia sido discutido e definido entre nós. Foi muito divertido e produtivo.

NADA POP – E sobre o relançamento das revistas, qual será a diferença entre a publicação da década de 90 em comparação com a de agora? Teremos alguns extras?

MARCATTI – Há anos vínhamos conversando a respeito e muita gente nos pedia esses relançamentos. O projeto inicial era fazer um álbum de luxo juntando o conteúdo as duas revistas somado a uma HQ inédita “fechando” o ciclo. Só que a ideia de um álbum “definitivo” me é menos atraente do que a possibilidade de continuar a série indefinidamente. A grande diferença das edições originais é que agora são inteiramente coloridas e, se tudo der certo, já começo a trabalhar em novas histórias logo depois do relançamento da nº 2.

NADA POP – Além de projetos com o Ratos de Porão, você já fez algum trabalho parecido com outras bandas?

MARCATTI – Projetos como a revista em quadrinhos, só o Ratos mesmo. Mas capas de discos fiz mais de 40.

NADA POP – Cite alguns desses trabalhos.

MARCATTI – Cynics, Monaural, Revenge, Rip Monsters, além de capas de coletâneas para a Rotten Records.

NADA POP – A primeira edição já está disponível para venda, mas quando a segunda edição estará disponível?

MARCATTI – Estou me programando para lançar a nº 2 no final de agosto e lançá-la na Bienal de Quadrinhos de Curitiba que acontece em setembro. Espero que tudo dê certo.

NADA POP – Onde é possível encontrar a HQ para compra?

MARCATTI – Pela internet, a revista também está no site do Ratos (www.rdpeido.com.br) e na loja física do João Gordo (Central Panelaço, em São Paulo). Além disso está na Comix Book Shop e Ugra Press (ambas com lojas físicas e virtuais) e em várias gibiterias.

NADA POP – E sobre o mercado nacional independente de quadrinhos, esse é um bom momento desse mercado em sua opinião?

MARCATTI – Em todos os meus quase quarenta anos de profissão, jamais imaginei uma cena como a atual. Testemunhei e vivenciei alguns chamados “booms”, mas o que acontece hoje é a consolidação de uma produção tão rica e tão diversificada como não existe em qualquer outro país do mundo.

Curtiu o papo? Deixe seu comentário, ajude compartilhando em suas redes e não deixe de visitar o site do Marcatti: www.marcatti.com.br

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Sobre o autor

Maurício Martins

Jornalista, pai da Maria Stella, fã de quadrinhos e ficção científica. Aficionado por música, especialmente pelo punk e hardcore. Também é idealizador e editor do Nada Pop.

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