quarta-feira, 19 de dezembro de 2018
Nada Pop

5inco perguntas para os holandeses do Antillectual

Antillectual durante show na cidade de Blieskastel (Alemanha) – Foto: Sebastian Koch

No próximo dia 3 de fevereiro começa a tour pela América Latina do Satanic Surfers, que terá como início da viagem o Brasil. Os suecos estarão acompanhados da banda holandesa Antillectual, que no ano passado lançou o excelente “Engage!”, que na Europa saiu pelo selo Redfield Records e por aqui foi lançado pela Fusa Records – adquira a sua cópia clicando AQUI.

Com forte contexto político, a Antillectual retrata os conflitos políticos e sociais em suas canções, que puxam pelo hardcore melódico sem tantas firulas, sendo mais direto e que ao mesmo tempo mantém o peso e a energia interligada com cada contexto de suas canções.

All I want is to spread the hope
Negativity, I can’t cope
All I want is to prove you wrong
But instead I wrote this song

O refrão acima da música “I wrote this song”, terceira faixa do álbum, é uma bela amostra dos tempos atuais, onde a polarização política acaba sendo mais forte do que a necessidade de se pensar na sociedade que estamos construindo para o futuro.

Respect existence or expect resistance

A faixa seguinte, “Racist Rash”, é outro exemplo do que a banda canta em suas canções. “Respeitar a existência ou esperar resistência”, simples de entender e muito importante perceber que mesmo a evolução tecnológica e de informação não conseguem exterminar a dificuldade que temos de conviver em coletivo. O pior de tudo, a dificuldade de aceitar estrangeiros em nossa comunidade e como existem privilégios que devem ser combatidos.

“Engage!” é um daqueles álbuns que fazem você sentir e pensar, que podem contribuir para um crescimento pessoal e fazer você expurgar todas aquelas ideias de sociedade em canções e stage dives.

Confira abaixo a nossa pequena entrevista com a Antillectual e aproveite para conhecer mais sobre a banda e, se puder, comparecer aos shows. Imaginamos que o Satanic Surfers deve ser a sua primeira intenção de show, mas vá por nós, os holandeses são fodas também. Para mais informações sobre a tour acesse a página da Solid MusicAQUI.

Deixamos um agradecimento ao Alex, da Fusa Records, por nos ajudar intermediando a conversa com a Antillectual. Valeu Alex!

Satanic Surfers & Antillectual em tour pelo América Latina durante o mês de fevereiro. Clique no flyer para ser direcionado para a página da produora Solid Music.

NADA POP – Obrigado pelo tempo e atenção. Gostaria de saber qual a expectativa de vocês para os shows que acontecem em fevereiro no Brasil e o que vocês lembram do país após a passagem de vocês por aqui em 2012?

ANTILLECTUAL – Só temos boas memórias do Brasil. Vimos a beleza do país ao dirigir por horas e horas em estradas intermináveis ​​e estradas pequenas no meio da floresta. Também vimos partes menos atraentes do país ao dirigir por cidades superlotadas e favelas. Mas não importa para onde fomos nós sempre fomos recebidos por pessoas muito simpáticas e acolhedoras. Pessoas que ficaram doidas quando começamos nosso show!

Acho que as pessoas ainda serão as mesmas de sempre, mas infelizmente não poderemos ver e conhecer muito sobre os locais que iremos desta vez por causa do tempo e programação da tour. Estaremos em aeroportos, hotéis e nos clubs, principalmente. Mas é o único jeito de fazer uma tour e tocar para a galera de toda América Latina.

NADA POP – Gostaria que vocês falassem a respeito das principais influências da banda.

ANTILLECTUAL – Musicalmente falando, crescemos nos anos 90/punk da costa oeste, a segunda leva do emo nos anos 2000 e o retorno do punk rock melódico, chamado aqui de “orgcore” a partir de 2010. E todos nós curtimos escutar algo do pop até o metal local.

NADA POP – No Brasil observamos um movimento crescente do conservadorismo, principalmente em jovens que muitas vezes são influenciados pela religião. Como vocês observam esse crescimento do conservadorismo no mundo e se acreditam que estamos regredindo como sociedade?

ANTILLECTUAL – Acho que há uma diferença entre Europa e América do Sul. Aqui há cada vez menos religião entre os jovens. E mesmo se houver um novo pico de atividade religiosa, sinto que é temporário. Talvez seja um pequeno passo para trás, mas a longo prazo acredito que a religião (no modo clássico) não será tão impactante como nos dias de hoje. Porém, isso não significa que esses focos de fundamentalismo religioso não possam ser prejudiciais. Ao limitar a liberdade de outras pessoas as instituições e religiões podem ser uma força muito supressiva na sociedade.

NADA POP – Falem a respeito do “Engage!” e sobre as ideias principais do álbum, o que inspirou vocês durante a composição e como os brasileiros podem interpretá-lo também.

ANTILLECTUAL – A inspiração para o álbum foi o estado que o mundo se encontra nos últimos anos. Também sobre o jeito que tratamos imigrantes, raças, e também a tendência de termos uma atitude negativa sobre o sonho de outras pessoas com nosso país de origem, fazendo perder a sua reputação progressiva.

Como os brasileiros podem interpretar o álbum? Esta é uma boa pergunta. Acho que escrevemos sobre eventos que estão acontecendo ou têm impacto em todo o mundo. Embora a vida e a sociedade no Brasil sejam bem diferentes daqui na Europa, acho que há um mecanismo similar no trabalho. Ou os efeitos de nossas vidas na Europa afetam as vidas de pessoas em todo o mundo, inclusive no Brasil. Então talvez as pessoas no Brasil não tenham exatamente o mesmo ponto de vista quando escutarem cada faixa do álbum, mas espero que eles possam entender, afinal. É um assunto interessante a se pensar…

NADA POP – Com mais de 10 anos de história, tours pelo mundo, quais experiências boas e negativas que vocês poderiam contar a respeito de ter uma banda?

ANTILLECTUAL – A parte boa de ter uma banda e fazer tours é que você pode ir a lugares e conhecer pessoas que em outras situações você não conheceria e teria a chance para isso. Essa é a parte mais valiosa e divertida de fazer tours ao redor do mundo.

A parte ruim é que você não consegue ver tanto quanto gostaria. Em tour você nunca fica por muito tempo em um lugar. E ainda tem longas horas para matar na van ou aviões. E a programação de uma tour são extremamente cansativas e podem ferrar com sua saúde, o que pode impactar diretamente nos shows ou o jeito que você desfruta de um período em tour.

Mas no final sempre vale a pena, até porque senão valesse não faríamos tão frequentemente e por longos períodos. Mas é crucial para encontrar o equilíbrio certo e o esforço que você coloca nisso.

Obrigado pela entrevista e por nos dar atenção sobre nossa tour no Brasil. Espero ver cada um de vocês em um ou mais shows! Siga-nos no Facebook, Instagram, inscreva-se na nossa newsletter e escute nossa música no www.antillectual.com.

Satanic Surfers & Antillectual em tour pelo América Latina

BRASIL

3 de fevereiro – Porto Alegre @Tabu 386
https://www.facebook.com/events/1121510327914036

4 de fevereiro – São Paulo @Stage
https://www.facebook.com/events/347500298922193

ARGENTINA

7 de fevereiro – Buenos Aires @Gier Music
https://www.facebook.com/events/1815317688682905

CHILE

8 de fevereiro – Santiago @Arena Recoleta
https://www.facebook.com/events/178471159271632

COLÔMBIA

9 de fevereiro – Bogota @Lumiere
https://www.facebook.com/events/1618462405127961/

COSTA RICA

10 de fevreiro – San Jose @El Sotano
https://www.facebook.com/events/295655114155177

MÉXICO

11 de fevereiro – Mexico City @Casa Nostra
https://www.facebook.com/events/947142628720581

12 de fevereiro – Guadalajara @Foro Independencia
https://www.facebook.com/events/384249118576593

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Sobre o autor

Maurício Martins

Jornalista, pai da Maria Stella, fã de quadrinhos e ficção científica. Aficionado por música, especialmente pelo punk e hardcore. Também é idealizador e editor do Nada Pop.

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