sexta-feira, 22 de setembro de 2017
Nada Pop

5inco perguntas para André Alves (Statues on Fire e Nitrominds)

André Alves (Nitrominds e Statues on Fire) – Foto: divulgação

Há pouco menos de um mês irá acontecer um dos shows que promete ser um dos melhores no Hangar 110 neste ano (e um dos últimos shows no Hangar). A reunião do Nitrominds, depois de quase cinco anos do encerramento da banda, marca uma das melhores fases do hardcore nacional. Foram 18 anos de banda (1994-2012), sete álbuns e mais de uma dezena de tours fora do país. Os caras também foram uma das primeiros bandas a se aventurar para além das terras brasileiras. Isso fez com que outras bandas também criassem a coragem e enxergassem na banda uma inspiração para tours no exterior.

André Alves, Lalo Tonus e Edu Nicolini fincaram o nome da Nitrominds na história do rock, não só pelo tempo de estrada, mas também pela qualidade da banda como músicos e letristas. Álbuns como “Time to Know”, “Start Your Own Revolution” e “Looking for a Hero” são clássicos absolutos ao mesmo tempo que retratam um período da existência do hardcore onde o faça-você-mesmo era ainda mais forte ou, de fato, a única opção possível.

Para mais informações sobre o show de reunião da Nitrominds, no Hangar 110, no dia 1º de abril, basta acessar a página do evento no Facebook (http://migre.me/wapFS) ou pelo telefone (11) 3229-7442. Ingressos variam entre R$ 20 e R$ 40 e podem ser adquiridos online (www.hangar110.com.br), na Loja 255 (Galeria do Rock), localizada na no centro de São Paulo ou Ratus Skateshop, que fica na Rua Dona Elisa Flaquer, 286 – centro de Santo André (SP).

Abaixo um bate papo especial com o André Alves, vocalista e guitarrista da Nitrominds e também integrante da Statues on Fire. Confira abaixo!

NADA POP – André, você acha que a reunião da Nitrominds agora em abril pode ser o início de um retorno da banda aos palcos? Vocês pensam nisso?

ANDRÉ ALVES – Putz, não. Acho que esse show é mais pra galera matar uma saudade e a gente também.

NADA POP – Como foi a conversa para realização desse show de vocês? O que realmente pesou para vocês resolverem voltar a ensaiar e se encontrar? Foi a amizade, foi a vontade de voltar a tocar as músicas do Nitrominds ou foi a chance de conseguir um cachê milionário (risos)?

ANDRÉ ALVES – Na verdade, o Alex (da Fusa Records e batera do Statues on Fire) teve a ideia, decorrente de algumas propostas que recebemos o ano passado sobre isso. E por que não?

NADA POP – Ter uma banda não é fácil, mantê-la por anos como vocês tiveram (foram 18 anos no total) deve ser algo que exigiu muito de vocês pessoalmente e profissionalmente também. Mas dá para falar em arrependimento por algo? Você, no caso, teria feito alguma coisa diferente com a banda?

ANDRÉ ALVES – Depois que acabou pensei sobre isso, não me arrependo de nada basicamente. Foram 18 anos bem vividos, um milhão de amigos feitos na estrada. Ganhamos muita grana e perdemos tudo investindo na banda, fizemos nosso nome na cena.

NADA POP – Vocês nunca pensaram em sair do país e tentar a carreira da banda no exterior? Sei que vocês também fizeram no mínimo uma dezena de tours pela Europa, conhecem muita gente lá fora. Não teria sido a melhor coisa a se fazer? Principalmente quando o emo tomou conta de tudo no início dos anos 2000?

ANDRÉ ALVES – Emo foi uma merda, foi tipo um câncer e os promotores de shows mais câncer do que esse estilo merda. Colocaram as bandas de outras vertentes de lado. Foi desse movimento lixo que inventaram aqueles shows com 15 bandas merda vendendo ingresso pra tocar, não sobrou nenhuma delas pra contar história.

O Brasil viveu um momento que só banda que canta em português que era legal, passamos por tudo isso nesses 18 anos, nunca deixamos a peteca cair, mas tudo enche o saco um dia, correto? Nada é pra sempre. O bom de ir pra gringa é saber que você pode voltar pra casa, nunca pensamos em morar fora.

NADA POP – Dá para dizer alguma coisa sobre o repertório ou quantidade de músicas que vocês pretendem tocar no Hangar, no dia 1º de abril? Algum álbum vai prevalecer (em relação as músicas) no show? Como foi a escolha do repertório?

ANDRÉ ALVES – Ainda não escolhemos as músicas, ensaio passado foi pra relembrar, tocamos 20 músicas sem errar. Lembramos de todas de primeira, creio que o show terá umas 25 ou 27 músicas de todos os disco e com a participação do Ricardo, primeiro vocalista.

Pergunta bônus

NADA POP – Se você encontrasse o André, aquele André ainda do início do Nitrominds, o que você diria pra ele?

ANDRÉ ALVES – Eu diria que deveria ter procurado outro vocalista antes de assumir o vocal da banda, quando perdemos o Ricardo foi uma merda gigante na minha vida.

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Sobre o autor

Maurício Martins

Baixista da banda Luta Civil, jornalista, pai da Maria Stella e fã de quadrinhos e ficção científica (não necessariamente nessa ordem). Também é idealizador do Nada Pop.