quinta-feira, 24 de Maio de 2018
Nada Pop

5 perguntas para Jair Naves (ex-Ludovic)

Jair Naves, ex-Ludovic, é um dos principais nomes da cena independente do país. Com mais de 10 anos de estrada, sua história com a música teve início no grupo punk Okotô quando estava com 17 anos. Seu primeiro trabalho solo veio em 2010, com EP Araguari, inspirado pelo trágico caso dos irmãos Naves – um dos maiores erros judiciais da história do Brasil. Desse primeiro álbum surge o documentário “Araguari, o que foi que aconteceu?”, que retrata as gravações e a turnê de divulgação do EP. O filme traz também depoimentos de fãs, jornalistas e dos músicos que acompanham o compositor, além de cenas do show ocorrido na cidade que batizou o disco. Assista acima.

Em 2015, lançou o segundo álbum de sua carreira, Trovões a Me Atingir, gravado nos estúdios El Rocha e Kalundu, em São Paulo. O álbum foi feito por meio de um projeto de financiamento coletivo e reúne participações especiais dos cantores e compositores Bárbara Eugenia, Beto Mejia (Móveis Coloniais de Acaju) e Camila Zamith (Sexy Fi), além de Guizado (trompete), Raphael Evangelista (violoncelo) e Caio e Igor Bologna (percussão).

“Um dos maiores diferenciais desse disco para o anterior está no elenco de convidados. São talentosos músicos de quem tive a oportunidade de me aproximar nos últimos anos e que enriqueceram consideravelmente esse registro. Foi uma alegria imensa poder trazê-los para o universo dessas canções. Todos, sem exceção, são artistas de características diferentes das minhas, que habitam outros cenários musicais. Essas parcerias me possibilitaram alcançar nuances, texturas e interpretações até então inéditas nos meus trabalhos”, comenta Naves.

Em relação a temática do álbum, ele ainda explica que “é um disco sobre paixões, transformações, percalços, provações, renascimento. Sobre as mudanças impostas pela passagem do tempo, pela vivência, pela sucessão de experiências. Uma imagem onírica que permaneceu viva na minha cabeça no período de composição e gravação dessas músicas, de que eu não consigo dissociá-las”.

“Trovões a Me Atingir” tem produção de Jair Naves e da banda que o acompanha em shows (Renato Ribeiro no violão e guitarra, Felipe Faraco no teclado e sintetizador, Rafael Findans no baixo e Thiago Babalu na bateria). O álbum anterior de Naves – E Você Se Sente Numa Cela Escura, Planejando a Sua Fuga, Cavando o Chão Com as Próprias Unhas (2012) – recebeu o Prêmio APCA (Associação Paulista de Críticos de Artes) na categoria “revelação”, além de ser um dos títulos mencionados entre as listas de melhores álbuns brasileiros daquele ano.

5 perguntas para Jair Naves (feitas pelo Eduardo Santana, o Boqa, da banda Penhasco)

NADA POP – Quando o Ludovic entra em estúdio?

JAIR NAVES – Sem previsão alguma, nem espero que isso venha a acontecer, para ser sincero. Temos algumas ideias em que estávamos trabalhando na época em que a banda acabou – dessas, lembro de que uma ou duas músicas eram interessantes. Pode ser que um dia a gente retome de onde paramos, nunca se sabe, mas eu não apostaria nisso.

NADA POP – Levando em conta que seu trabalho, tanto carreira solo como na época do Ludovic, influenciou toda uma geração que hoje toma os palcos, você acha que seu dever na música anti-comercial está cumprido?

JAIR NAVES – Fico feliz em notar que há quem tenha se inspirado de alguma forma no que eu tenho feito durante todos esses anos, é o tipo de coisa que sempre me emociona. Sobre ter ou não cumprido meu dever, ainda acho que tenho muito a fazer. Mesmo com todas as dificuldades em se fazer música, continua sendo a minha maior paixão.

NADA POP – O que você tem escutado?

JAIR NAVES – Tenho escutado bem menos música do que eu deveria, e nem sei exatamente o por quê. Lembro de recentemente ter ouvido bastante o último do Siba, “De Baile Solto”, os primeiros da Joni Mitchell, que eu ainda não conhecia, e o “Nubians of Platonia”, do Sun Ra. Ah, e como eu também terminei de ler a pouco tempo a biografia do Replacements, recuperei a discografia deles durante a leitura e conheci alguns outros que são citados no decorrer do livro.

NADA POP – Como foi o processo de composição das letras do último disco?

JAIR NAVES – O processo todo de composição e gravação do último disco foi bem mais tenso do que de costume. É uma coisa que acabou se refletindo no álbum, acho que sempre que eu ouvir aquelas músicas vou me lembrar de como foi a experiência da realização daquele trabalho. Com as letras não foi muito diferente; embora o disco tenha alguns dos melhores versos que eu já escrevi (como em “Incêndios”, “Prece Atendida” e “Um Trem Descarrilhado”), de outras não me sinto mais tão próximo assim. De certa forma, é algo que acontece com todos os discos: algumas músicas terão certa ressonância emocional para sempre, outras nem tanto.

NADA POP – O que te move como músico?

JAIR NAVES – Minhas motivações mudaram bastante desde quando eu comecei a tocar e, especialmente, a gravar minhas próprias composições. No começo, mais do que tudo, eu queria ser ouvido e, através das minhas músicas, encontrar as minhas pessoas e o meu lugar no mundo. Acredito que consegui alcançar esse objetivo inicial. Atualmente, minha maior motivação é a auto superação, fazer algo que seja melhor do que tudo que eu já fiz até hoje. Expandir minhas possibilidades enquanto compositor, letrista, cantor, músico, o que for. E, para tanto, não me repetir – o que nem todo mundo entende ou aceita, já que parte do público tem uma imagem concebida de você e uma expectativa já formada com relação a como você deve soar. Seja como for, é o que ainda me mantém produzindo e animado para as próximas etapas dessa trajetória.

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Sobre o autor

Maurício Martins

Jornalista, pai da Maria Stella, fã de quadrinhos e ficção científica. Aficionado por música, especialmente pelo punk e hardcore. Também é idealizador e editor do Nada Pop.

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