sexta-feira, 25 de Maio de 2018
Nada Pop

5 perguntas para Gabriel Thomaz (Autoramas)

Lançado recentemente, “O Futuro dos Autoramas” é o sétimo álbum dos Autoramas e o primeiro do grupo com nova formação que, além do Gabriel Thomaz (voz e guitarra), conta com Érika Martins (voz, guitarra, teclados e percussão), Melvin Ribeiro (baixo e vocal) e Fred Castro (bateria).

Thomaz é figura histórica do rock nacional, em 1988 formou o Little Quail & The Mad Birds junto com o Zé Ovo, no baixo e vocal, e Bacalhau (atual Ultraje à Rigor) na bateria. A banda durou até meados dos anos 90 e teve um disco lançado pelo selo Banguela Records, empreitada musical dos Titãs ao lado de um dos mais importantes produtores do país, o Miranda. O selo foi responsável por lançar bandas como Raimundos, Mundo Livre S/A, Maskavo Roots e Graforréia Xilarmônica.

Com o fim do Little Quail & The Mad Birds, Thomaz surge em 1997 com os Autoramas. Aí, todo o resto provavelmente você já conhece. O Surf Rock do Autoramas está mais do que estabelecido, porém, neste ano, o Gabriel lançou o livro “Magnéticos 90” que conta MUITO sobre a cena independente dos anos 90 pelos olhos do então garoto de topete alto e que vivia com a mochila cheia de fitas k7 – com gravações de outras bandas – para apresentar a todo mundo interessado em ouvir (produtores, jornalistas, outros músicos).

Mas não pense que é um livro no estilo padrão, que relembra textualmente as memórias do Gabriel. É uma das mais belas graphic novels (em minha opinião) sobre música e que recebeu os traços de Daniel Juca. O livro/HQ é um lançamento das Edições Ideal que merece fazer parte da sua estante – principalmente se você for um aficionado por música e um curioso sobre como as coisas funcionavam antes do MP3, streaming e de como as bandas divulgavam seus trabalhos num período pré-internet. São histórias interessantíssimas dos anos 90, acredite! Para comprar o livro/HQ basta clicar AQUI. O legal é que os caras pensaram também na questão sonora da coisa, sendo possível escutar muitas das demos da época no site sobre o livro: http://magneticos90.autoramasrock.com.br/.

Para bater um papo-rápido com o Nada Pop, o Gabriel Thomaz respondeu nossas cinco perguntas que você poderá conferir abaixo.

5 perguntas para Gabriel Thomaz (Autoramas)

NADA POP – Gabriel, o último disco dos Autoramas (O Futuro dos Autoramas) foi lançado em CD, vinil e K7. Dá para acreditar que as fitas k7 irão voltar ainda com mais força? O que as fitas representam, particularmente, pra você?

GABRIEL THOMAZ – Acho que tem gosto pra tudo no mundo, inclusive pras fitas K… Eu acho um barato, são bonitinhas, fofinhas e colecionáveis. É incrível como dá pra “hypar” tudo! Estou esperando ansiosamente pela volta do CD, vai ser super moderno! No meu livro, eu conto sobre a geração que rolava quando comecei a tocar e que um dia, incrivelmente, percebemos que o formato oficial dessa cena era o K7, ou, como chamávamos, a fita-demo.

NADA POP – Aprofundando um pouco mais sobre o seu livro (Magnéticos 90), lançado pela Edições Ideal, é possível perceber o quanto o rock está inserido na sua vida e como você fez e faz parte da história do estilo no Brasil. O que mudou dos anos 90 em comparação aos dias de hoje. O rock, infelizmente, deixou de ser relevante? Qual era o perfil de quem ouvia rock nos anos 90? Esse perfil mudou em relação à hoje?

GABRIEL THOMAZ – Mudou muita coisa, nos anos 90 não tinha internet, só milionário tinha celular e andava de avião, os equipamentos de shows eram um lixo, ou seja, hoje em dia é tudo MUITO melhor, mais fácil e mais confortável. Não sei qual era o perfil de quem ouvia Rock. Me lembro de muita gente que curtia um Smiths, aí a lambada entrou na moda e essas mesmas pessoas foram junto e um ano depois estavam de camisa grunge de flanela. Eu sempre curti rock and roll.

NADA POP – Brasília, São Paulo e Rio de Janeiro. O que essas três cidades significam em sua vida e em qual delas você passou pela pior roubada com os Autoramas?

GABRIEL THOMAZ – Brasília é minha cidade, que amo e foi onde nasci. Quando eu morava lá ela era bem menor do que é hoje, é impressionante como a cidade cresceu. SP eu adoro, me divirto às pampas e quero voltar a morar aí um dia. O Rio é lindo, cidade da minha família, tenho muita história aqui, onde moro. Acho que nunca passei por nenhuma roubada… Tenho muita sorte. 🙂

NADA POP – Você que já presenciou o nascimento e morte de dezenas de bandas. É possível dizer os principais motivos que causam o encerramento de uma banda?

GABRIEL THOMAZ – Acho que é o ego. Não respeitar o papel do seu ex-melhor amigo na banda. A coisa que faz você esquecer toda a luta que você e seus amigos já passaram e criaram juntos.

NADA POP – Polarização política, golpe x impeachment, fim do Ministério da Cultura, volta do Ministério da Cultura. Você acha que há alguma lição positiva que podemos tirar de toda essa crise política no país?

GABRIEL THOMAZ – Acho que agora ficou bem claro que todos eles são uns FDP que só pensam nos próprios interesses e quem defende cada um deles gosta mesmo é de ser enganado.

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Sobre o autor

Maurício Martins

Jornalista, pai da Maria Stella, fã de quadrinhos e ficção científica. Aficionado por música, especialmente pelo punk e hardcore. Também é idealizador e editor do Nada Pop.

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