quinta-feira, 23 de novembro de 2017
Nada Pop

10 perguntas para Maurício Martins (Nada Pop)

Sempre me pergunto… …às vezes pra falar a verdade… …o que motiva a cena independente, porque carregamos amplificadores, baterias e tudo mais pra tocar lá longe em troca de umas beers? Porque continuar nessa correria toda?

Bom, cada um tem sua motivação!

Conheci o nada Pop tempos atrás e virei fã do site e admirador de um cara que enxergou uma cena onde alguns só viam um grupo de pessoas carregando amplificadores para mostrar sua música autoral. Esse cara é o Maurício Martins, e ele é o cara do Nada Pop, site que você está lendo neste exato momento. A possibilidade de fomentar cultura independente por meio de textos, resenhas, entrevistas é louvável e deve ser reconhecida, se eu fosse um pastor evangélico diria que é “para glorificar em pé”, ALELUIA IRMÃOS!

Fiz algumas perguntas para esse figura que tem todo meu respeito… …lá vai!

01 – Maurício, primeiro de tudo defina os motivadores de criar e manter uma página de conteúdo cultural independente na internet.

Dizem que só os tolos respondem uma pergunta com outra, mas eu te pergunto: por que você tem uma banda? O que te motiva a escrever crônicas? O que te estimula a pintar? Acho que aí você terá uma resposta minha para a sua pergunta, pois eu poderia dizer um monte de motivações, mas a que realmente importa é que simplesmente gosto de ouvir as bandas e escrever sobre elas, felizmente não sou o único e temos alguns colaboradores (incluindo você) que pelo visto gostam de fazer o mesmo. Quem quiser fazer o mesmo, só entrar em contato.

02 – As gravadoras já eram. Hoje se grava e distribui música e conteúdo partindo de qualquer notebook. Se considerarmos que mesmo artistas já consagrados grandes fazem uso desses meios (inclusive crowdfunding) o que é ser independente. E se puder me explica o que é indie?

Prefiro pensar que ser independente é uma expressão apenas para simbolizar que o artista ou banda possui controle absoluto sobre o seu trabalho, incluindo seus custos, erros e acertos. Seu GPS artístico são o instinto e a intuição. Penso que indie é um termo para descrever uma banda independente tentando ser mais interessante do que realmente é.

03 – Existe uma curadoria que passa diretamente pelo crivo do editor ou o site tem premissas básicas a serem atendidas para que o Nada Pop publique algo sobre uma banda?

Ser um banda fascista, homofóbica ou racista são as únicas coisas que irão fazer a sua banda nunca aparecer por aqui. Afinal, espero que ela não apareça em nenhum lugar também.

04 – São Paulo nos idos de 2002 e 2007 tinha diversas casas de show e inúmeras bandas de rock, depois disso viveu-se anos de marasmo no que toca bandas de rock, hoje percebe-se uma volta do interesse em tocar música autoral. É uma onda? Vai passar, assim como passou a anterior, são ciclos?

Só saberemos daqui um tempo, mas espero que não seja uma onda não. Somos um bando de gente ainda aprendendo como consumir música de maneira virtual. Só não podemos deixar que limitem o acesso a internet.

05 – Anos atrás bandas como CPM22, Hateen e outras foram incorporadas de certa forma pela indústria (tocava na rádio e tudo mais, mesmo não abandonando suas raízes musicais), isso é ruim? Tem que ser independentão carregando amplificadores nas costas pra sempre ou você vê a cena sendo incorporada no esquemão num futuro em médio prazo?

Gostaria que a cena independente apenas se profissionalizasse mais. Casas de shows com bons equipamentos e cachê para as bandas, bandas com bons equipamentos e fazendo a sua arte chegando aos ouvidos de muitas pessoas, além do público assumindo sua importância como estimulador para a banda e para os espaços.

06 – Seguidores, likes e outros termômetros virtuais nada dizem da qualidade de uma banda, ao mesmo tempo a internet é a grande ferramenta de divulgação do trabalho das bandas autorais. Sem os likes da internet nada feito, mesmo para as bandas boas de fato?

Depende, os “likes” são naturais ou comprados? Acho que a diferença está no seguinte: as bandas boas confiam em suas músicas e planejam os shows, falam com os donos dos espaços, chamam outras bandas pra tocar, criam laços além da música em si, se envolvendo com o lance de ser uma banda em suas diferentes etapas. Bandas que só querem curtidas dão um dinheiro para o Zuckerberg e buscam atalhos e elevadores ao invés de escadas. Tentei parecer um poeta, mas só roubei essa última frase de uma música do rapper Inquérito.

07 – O que é fazer sucesso na cena independente atualmente?

Acredito que seja o poder de reunir MUITOS amigos ao INVÉS de fãs.

08 – Como músico eu geralmente pago para tocar (se considerar meu deslocamento, baquetas, o que consumo), há saída para essa realidade da maior parte das bandas autorais? Vamos ganhar grana para manter a banda rodando ou vamos sempre fazer shows na brodagem???

Talvez no início seja sempre a mesma coisa, a banda quer tocar e não importa o dia e o lugar. Assim, caí em armadilhas, erra bastante e aprende a se levantar. Mas penso que é o respeito o início de tudo: espaços que respeitam a banda e o público; banda que respeita o público e o espaço; público que respeita espaço e banda. É esse o caminho…

09 – Você deve ser bem assediado para promover bandas, posso te mandar um link da minha banda? Temos um montão de likes no freakbook!

Eu tento ser bem acessível, não me coloco num pedestal. Afinal, estamos no mesmo barco, não? Temos, como disse, alguns colaboradores e todos eles também são fundamentais para a continuação do Nada Pop. Posso ser o “editor”, mas não faço sozinho… e nem quero.

10 – Nada pop mesmo? Nem um pouquinho? Ah fala a verdade vai!

Será que estamos usando um nome fantasia e ninguém percebeu? Tipo o PMDB (Partido do Movimento Democrático Brasileiro)? Deixo essa dúvida no ar…

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Sobre o autor

Rafael Moralez

Rafael Moralez é músico, ilustrador e autor da série Peixe Peludo. Conheça seu blog de ilustrações