quinta-feira, 23 de novembro de 2017
Nada Pop

#041 – Os 10 álbuns de Rogério Aguiar, da Lo-Fi

Rogério Aguiar, baixista da Lo-Fi. Foto: Isabelle Andrade

Uma das bandas mais profícuas em atualidade no Brasil, representantes da máxima do Faça Você Mesmo, no qual podemos incluir uma outra frase além dessa: Faça Você Mesmo e Foda-se Todo o Resto!

Thiago Roxo (guitarra e vocal), Rogério Aguiar (baixo e vocal) e Marcelo Bastos (bateria) fazem uma mistura de sons difícil de rotular. Eles não são punks, mas ao mesmo tempo são. Não são do hardcore, mas a agressividade e o som sujo e rápido são até melhores do que muita banda de hardcore por aí. Stoner? Talvez. Mas se for para resumir o estilo da banda, talvez seja possível dizer que é o tipo de som para quem gosta de barulho, de esquecer dos problemas da vida e, ao mesmo tempo, viajar tomando aquela cerveja ou na brisa de alguma outra substância qualquer. É um tipo de som para quem gosta de viver intensamente ou rock para quem gosta de rock, simples assim.

A Lo-Fi existe desde 2008 e lançam um álbum praticamente todo ano, fora as tours que a banda realiza por diversos cantos, mas principalmente pelos Estados Unidos. Segundo o Thiago (guitarra), não tem muito segredo. “Marca tour, de 10 a 12 shows. Compra a passagem mais barata que conseguir, faz merchan e vai. Com a grana dos cachês e a venda dos merchans se consegue pagar a hospedagem, comida e transporte. Morremos com as passagens”, explica. Foda, né? Com a cara e a coragem mesmo, algo que muitas bandas ainda não se arriscam a fazer.

Quer conhecer um pouco mais da banda, mas não só pelo som? Confira o documentário “Charge Hard”. Os lugares mais podres e divertidos que você possa imaginar pelos quais a banda passou em 2015. Eles foram para a segunda turnê americana, tocando em Nova York, Whitesburg, Lima, Chicago, Newark, Philadelphia, Washington e Baltimore. Nos dias livres ficaram hospedados na Barclay House, em Baltimore. Já falamos disso aqui mesmo no Nada Pop, confira mais sobre a Barclay clicando AQUI.

O filme é um retrato fiel dos que os caras passaram pelo nordeste americano em cenários completamente underground. Aqueles lugares no qual as pessoas ainda são apaixonados pela arte da música sincera. O vídeo foi gravado e editado por Leo Pepino, um registro único e que poucas vezes vimos no mundo da música, principalmente a nacional. Assista!

O Rogério Aguiar (baixista da Lo-Fi), que também atua de vez em quando como entrevistador no LOW fidelity, falou um pouco das suas influências especialmente para o Nada Pop. Obviamente ele quis deixar claro que “uma lista como essa muda a cada semana, vale milhões em educação, se é que podemos precificar uma vida de dedicação”.

Não deixe de curtir a página da banda no Facebook, conheça o Bandcamp do grupo e se inscreva no canal da Lo-Fi no YouTube. Abaixo também uma aula de música, além do documentário “Charge Hard”.

041 – Os 10 álbuns de Rogério Aguiar, da Lo-Fi

01 – THE ROLLING STONES – EXILE ON MAIN ST. (1972)

O maior disco de todos os tempos, não só pelo conteúdo, mas pela forma que foi gravado. Todas as pessoas que participaram dele, local de gravação, todo o folclore envolvido, impossível alguém fazer igual, nem com todo o dinheiro do mundo se faz algo assim nos dias de hoje. Clímax artístico, musical da então melhor banda do mundo, que mesmo sendo ingleses, criaram algo maravilhoso com a música americana.

02 – THE ALLMAN BROTHERS BAND – LIVE AT FILLMORE EAST (1971)

Melhor disco ao vivo de rock já registrado, melhor banda de rock, melhor grupo de pessoas tocando música americana com muito estilo e personalidade, em 1970, nada podia ser melhor que isso, e nem nos dias atuais. Nunca mais. Tradução em música da palavra família. Carinho pelo ofício da música.

03 – THE MARSHALL TUCKER BAND – CAROLINA DREAMS (1977)

Impossível algo ser melhor que isso. Toy Caldwell liderando uma banda perfeita. O sul dos EUA sendo representado em 1977 (ano obscuro para as raízes americanas) perfeitamente. Paul T. Riddle gênio, Toy Caldwell gênio. Disco que gostaria de ter feito.

04 – BLACK CROWES – AMORICA (1994)

Quando todo mundo falava em 1994 que não existia rock e que era impossível alguém fazer algo de extremo bom gosto e qualidade, esses caras chegaram mostrando que iam fazer isso ainda por mais 20 anos, ou melhor, por uma vida inteira, o impacto a longo prazo desse disco é inestimável, Marc Ford um dos melhores guitarristas de todos os tempo e ninguém fala disso, só porque não é da mesma geração dos sempre citados como melhores. Tapa na cara do mundo e na juventude que acha que nunca vai fazer algo de bom só porque não viveu os anos 60 e 70.

05 – BOB DYLAN – TIME OUT OF MIND (1997)

Em 1996 uma aula de como manter as raízes e inovar. Bob Dylan sempre inovou e mudou a cada disco, inclusive de visual, aula que todo brasileiro deveria ter, que sempre se apega a uma fórmula e mantém o resto da vida. A vida é sobre mudanças e evolução, mesmo que a forma de escrever sobre sentimentos tenha sempre a mesma origem. Me lembrei de uma frase, não existe inteligência sem uma certa incoerência.

06 – JOHN LEE HOOKER – DON’T TURN ME FROM YOUR DOOR (1992)

Ouvia esse disco com 13 anos e se eu apagasse a luz do meu quarto eu tinha medo. Esse cara pra mim tinha 2,5m de altura e parecia que comia gente, literalmente, e a guitarra dele dizia o mesmo. Timbre, letras, forma de tocar inimitável. Lição de personalidade. Dá arrepios até hoje e vai continuar dando até a minha morte.

07 – OTIS REDDING – TELL THE TRUTH (1970)

Meu primeiro disco do Otis Redding, gravado com a companhia insubstituível da Stax, a banda Booker T. & the M.G.’s. O melhor cantor de todos os tempos em um disco póstumo, onde meu baterista favorito, Al Jackson Jr., arrebenta. Música americana é imbatível, ainda mais oriundo do sul do país, não tem pra ninguém, foda-se a Inglaterra e suas cópias e discos cheios de fórmulas.

08 – JAMES GANG – LIVE IN CONCERT (1971)

Apenas ouça o cara mais cool do pedaço, Joe Walsh mostrando como se toca um Gibson Les Paul, no joelho, captador encostando nas cordas e marshall Lead no último volume, aula. Sem mais.

09 – JOHN COLTRANE – BALLADS (1963)

Melhor grupo de pessoas tocando junto, John Coltrane, Elvin Jones, McCoy Tyner, Jimmy Garrison. Meu primeiro disco do Coltrane, tinha 14 anos e acho que eu aprendo algo novo a cada dia ouvindo esse disco. Magia, inexplicável. Apenas sentimentos para ter como explicação de algo tão sublime. Sem palavras. Disco que você leva pra ilha deserta pra ficar sozinho com ele o resto da vida.

10 – LITTLE FEAT – DIXIE CHICKEN (1973)

Lowell George, lição de vida, que você se espelha e se identifica, na forma de viver como músico, em qualquer lugar do mundo, como encarar o ofício e tocar um instrumento e ir até o fim disso a qualquer custo. Fazer pessoas chorarem, tocarem seu coração, é… Just give a sign and I will be Willin.

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Sobre o autor

Maurício Martins

Jornalista, pai da Maria Stella, fã de quadrinhos e ficção científica. Aficionado por música, especialmente pelo punk e hardcore. Também é idealizador e editor do Nada Pop.