domingo, 20 de agosto de 2017
Nada Pop

#037 – Os 10 álbuns de Claudio Cox (Giallos)

Claudio Cox – Foto: Fabio Zerbini

Muita gente pediu e estamos de volta com a série “Os 10 álbuns”. O nosso convidado dessa vez é o Claudio Cox, vocalista de uma das melhores bandas em atualidade no país: Giallos. Diretamente da cidade de Santo André (SP) para o mundo, a Giallos também é formada por Flávio Lazzarin (bateria) e Luiz Galvão (guitarra), e são influenciados pelo rock de garagem e primitivo de todas as épocas, assim como filmes B dos anos 60 e 70, blues, free jazz e, obviamente, o punk.

A banda nasceu no final de 2010 e o álbum “¡CONTRA!” marcou o primeiro registro de estúdio do trio sendo lançado de forma independente em 2013. O trabalho mais recente da banda, chamado de “Amor Só De Mãe”, foi lançado no ano passado pelo selo carioca Transfusão Noise Records. Nos dois álbuns da banda também houve o lançamento de uma edição limitada de fitas k7.

Para conhecer mais o trabalho da Giallos curta a página da banda no Facebook e ouça os álbuns no Bandcamp do grupo.

Os 10 álbuns de Claudio Cox (Giallos)

TITÃS – CABEÇA DINOSSAURO (1986)

Primeiro disco da minha coleção, ganhei num amigo secreto da escola, tava na sexta série, isso em 86. Foi também o primeiro show que eu fui na vida, dois anos depois. Imagina a cabeça de um moleque que tinha acabado de fazer catecismo ouvindo “Igreja” pela primeira vez… Se eu for pensar bem, acho que esse disco é uma das minhas maiores influências musicais e intelectuais.

DEAD KENNEDYS – FRESH FRUIT FOR ROTTING VEGETABLES (1980)

Esse é do turbilhão punk de 85/86 que varreu a cabeça da molecada numa pista de skate improvisada na vila que eu morava. Veio junto com Ramones (Rocket to Russia), as coletâneas SUB e Ataque Sonoro, Garotos Podres (Mais Podres), Cólera (Pela Paz), Grinders, Ratos de Porão (Crucificados), todos fundamentais na minha formação musical. Fui ver o Jello Biafra com o Guantanamo School of Medicine em 2012, tocaram “Holiday in Cambodia” e “California Uber Alles” desse disco, o povo enlouqueceu na hora. Se fosse lançado hoje, seria foda.

AC/DC – LET THERE BE ROCK (1977)

Ganhei esse disco de um colega de trampo numa época que eu só ouvia punk, em 88. Peguei na intenção de trocar por alguma coisa que eu curtisse, mas antes de passá-lo pra frente resolvi ouvi-lo. Lembro que já na primeira faixa a coisa começou a ficar esquisita, era “Go Down”, com uma daquelas levadas clássicas da banda me pegou de jeito e por mais que eu quisesse negar, eu tava gostando daquilo. Acabei ficando com o play e isso acabou sendo o embrião de uma mudança nos horizontes sonoros que ganhou corpo quando descobri o Black Sabbath e o “trash metal” no final dos 80.

RATOS DE PORÃO – BRASIL (1989)

Uns anos atrás fui ver o Ratos tocar o “Brasil” na íntegra no Sesc Belenzinho, já fazia um tempo que não via os caras ao vivo e esse show foi uma catarse pra mim. Na época do lançamento desse disco, 1989, os caras não faziam muito show, portanto era a primeira vez que eu estava ouvindo algumas músicas do “Brasil” ao vivo, foda. Ouço os caras desde 85/86, mas se não me engano meu primeiro show foi no Aeroanta em 90 ou 91, era a gravação de um programa da 89 FM chamado “Ensaio Geral”, isso já era a turnê do Anarkophobia. Durante os anos 90 fui em todos que apareciam, inclusive na gravação do disco “R.D.P. Ao Vivo” no Café Brittania. Mitos.

Brasil (1998)

SEPULTURA – BENEATH THE REMAINS (1989)

De 1989 à 1996 só dava os caras, discos matadores, shows idem. Acho que se o Max não tivesse saído da parada o Sepultura seria naipe Metallica no mainstream hoje. Não vi muitos shows do Sepultura, mas nos clássicos do Pacaembu e no Olympia em 96 eu estava lá, vi também um aqui em Santo André que foi foda, em 94 se não me engano… Nessa época Ratos de Porão e Sepultura eram as minhas bandas favoritas. Por muito tempo disse que o Chaos A.D. era o melhor disco deles, mas hoje sou mais esse e o Arise, tô numa fase trash se pá. Comprei esse play em 1990.

FAITH NO MORE – THE REAL THING (1989)

Esse disco deixou todo mundo louco no começo dos anos 90, foi destruidor. Frenesi só comparado com os primeiros do Rage Against the Machine e do Body Count uns anos depois (pelo menos no ABC)… Foi o segundo show gringo da minha vida, em 91 aqui em Santo André, fecharam com “War Pigs” do Sabbath, imagina isso.

JON SPENCER BLUES EXPLOSION – EXTRA WIDTH (1993)

Programa do Fábio Massari, na MTV, chamado Lado B. Era um especial do Abril Pro Rock com os artistas que estavam tocando no festival pedindo clipes pra passar. “Afro” – música que abre o play – foi um pedido do saudoso Chico Science. Chapei! Lembro que tinha gravado esse programa em VHS e ficava vendo esse clipe sem parar. Só fui descolar esse disco no final dos anos 90, uma cópia em CDR que ainda tenho guardada. Em 2001 fui naquele show histórico no teatro do Sesc Pompeia. Muita gente associa o Giallos com a Blues Explosion, pra mim isso é tipo um Grammy.

HOUSE OF PAIN – FINE MALT LYRICS (1992)

Lembro de ter lido uma resenha desse disco na finada revista BIZZ que dizia que esses caras estavam mais pra pista de skate do que pra pista de dança. Comprei o play e chapei. Jump around, jump, jump… A partir daí o interesse pelo rap foi ficando cada vez mais embaçado, já sacava o primeiro dos Racionais porque tinha um fanático na escola, aí veio Cypress Hill, Beastie Boys, Public Enemy, US3, Digable Planets, aquela trilha sonora linda do “Judgment Night”, fodeu tudo. Tudo.

US3 – HAND ON THE TORCH (1993)

Preciso falar desse disco porque foi ele que me apresentou o universo da Blue Note Records, puta que pariu! Grant Green, Herbie Hancock, Jimmy Smith, Lou Donaldson, Reuben Wilson, Wes Montgomery… Consequentemente depois veio Monk, Miles, Coltrane… Fim.

THE CRAMPS – A DATE WITH ELVIS (1986)

Fui conhecer realmente os Cramps graças a Rita, minha ex-mulher. Isso em 1999. Até então só manjava os hits que tocavam no rádio e os clipes. Ela tinha alguns CDs e uma pá de fita K7 caseira com toda a discografia da banda – fitas essas que guardamos cuidadosamente. Um dos nossos sonhos da vida era ver os Cramps ao vivo, infelizmente não rolou porque o Lux bateu as bota antes. Os Cramps não tem nenhum disco ruim, NENHUM. Esse é especial pra mim porque foi o primeiro inteiro que escutei. Gravamos uma deles no disco novo do Giallos!

Gostou desse Post? Compartilhe!

Sobre o autor

Maurício Martins

Baixista da banda Luta Civil, jornalista, pai da Maria Stella e fã de quadrinhos e ficção científica (não necessariamente nessa ordem). Também é idealizador do Nada Pop.