quinta-feira, 23 de novembro de 2017
Nada Pop

#033 – Os 10 álbuns de Rodrigo Koala (Hateen)

Rodrigo Koala – Foto: Pamela Mota

É vivendo nos grilhões do passado que a pessoa faz a escolha de trocar a luz pela escuridão, em sua vida, cada um possui o poder de fazer suas próprias escolhas, dessa forma, a dica é: afaste-se dos fantasmas que o rodeiam e o fazem acreditar que está errado. Essa é uma passagem reescrita da música “Não vai ter mais tristeza aqui”, novíssimo álbum do Hateen, lançado em junho pela gravadora Hearts Bleed Blue (HBB). É dispensável apresentar o quarteto, pois com uma carreira longa e sólida, é um dos principais nomes no cenário independente. Talvez a única novidade, nem tão nova assim, é a entrada do baterista Thiago, no lugar do Japinha.

Esse recente registro, leva o nome da primeira faixa, já citada no início, e junto com ela outras canções que tem tudo para virar grandes hits, característica nata dos caras quando produzem. Para refrescar vale lembrar das músicas “1997”, “Quem Já Perdeu Um Sonho Aqui?”, sem falar do aclamado full, “Obrigado Tempestade”, lançado em 2011.

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Hateen e seu mais novo álbum “Não Vai Mais Ter Tristeza Aqui”, lançado pela HBB.

Além de frases, estrofes e versos impactantes, o poder de escrever sobre a vida diária e seus desafios, com argumentos que causam reflexões, são bem trabalhados por Koala, vocalista, guitarrista, letrista, apresentador, o homem de múltiplas habilidades. “Perdendo o controle” tem a participação do Rodrigo (Dead Fish), em uma passagem citam “as maiores mentiras que contei, foram aquelas em que eu mesmo acreditei”. Outra música que ganhou uma longa e poética letra foi “Coração de plástico”. A sétima faixa, “Um homem que não tem pra onde ir”, deixa a importante lição de aprender sempre, mesmo que aconteçam erros no percurso, pois essa experiência conduz ao rumo certo.

A exímia produção, mixagem e masterização do Lampadinha e o projeto gráfico merecem destaque, dada sua qualidade, impossível passar desapercebido. Enfim, um trabalho completo para os fãs que conhecem a banda desde os meados do seu surgimento, em 1994, até os dias de hoje. “Não vai ter mais tristeza aqui”, nunca mais! Acredite e esforce-se!

Abaixo, os 10 álbuns escolhidos pelo próprio Koala, o nosso mais novo convidado dessa série. Descubra um pouco das suas influências e inspirações. “Não estão em ordem de preferência, é uma pena ter que deixar de fora vários discos maravilhosos, pois eu queria dar uma panorama mais geral mesmo, mas saibam que se a lista fosse um pouco maior teria Rocket From The Crypt, Seaweed, Cursive, Pedro The Lion, Face To Face, entre outras…”, diz o próprio Koala, especialmente para o Nada Pop.

Os 10 álbuns de Rodrigo Koala (Hateen)

01 – PIXIES – DOOLITTLE (1989)

Banda número 1 da minha vida há mais de 20 anos. Os Pixies sempre souberam fazer músicas que despertavam minha curiosidade, fosse pelas construções de acordes nada ortodoxos, ou letras que beiram o non-sense. O primeiro disco que ouvi deles foi o Surfer Rosa, porém o Doolittle tem uma produção mais apurada, que torna a sonoridade mais “comercial”, porém não se deixe enganar, sujo e pesado na medida e, de quebra, conta com algumas das melhores músicas que a banda já fez em sua carreira.

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02 – NIRVANA – NEVERMIND (1991)

A banda que mudou tudo na minha vida. Foi a banda que marcou minha geração como sendo a mais barulhenta, desbocada, suja e que redefiniu todo o cenário da música mundial após o lançamento desse disco. Comprei o meu em vinil no dia em que saiu no Brasil, fui para um bar, botei na vitrola do cara pra tocar, enchi a cara e escutei 10x seguidas enquanto jogava bilhar. Depois de ouvir esse disco, tive certeza de que queria ter uma banda.

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03 – LEMONHEADS – IT’S A SHAME ABOUT RAY (1992)

Vi diversos shows deles já, e em cada um o vocalista Evan Dando parece mais desconectado do mundo e maluco, porém continua compondo músicas belíssimas. Desde seus primeiros discos totalmente hardcore e punk, o Lemonheads nunca teve medo de arriscar, colocar uma balada no meio de um monte de canções barulhentas, algumas com pegada folk, outras com belos arranjos de guitarra lap steel. Acho que esse é um dos discos que mais ouvi na vida.

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04 – NADA SURF – LET GO (2002)

Pra mim o melhor disco deles disparado. Quando eles vieram ao Brasil pela primeira vez, pra divulgar esse disco, tive a sorte de poder ir ao show e fiquei impressionado como apenas três carinhas tiravam um som daqueles. O vocalista, guitarrista e compositor Mathew Caws é daqueles “guitar heroes” ao inverso, que não ficam solando e tocando mil notas por segundo, mas fazem uns acordes e inversões muito legais na guitarra. É um disco de canções, e eu amo canções.

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05 – STREET BULLDOGS – QUESTION YOUR TRUTH (2001)

Passei 10 dos mais felizes anos da minha vida tocando nessa banda, mas bem antes disso já era fã de carteirinha. Ia em todos os shows que podia, até mesmo fora de São Paulo. Nesse disco fui convidado pra gravar uma participação vocal na faixa Red Roses Bouquet, e anos após já estar na banda fiquei sabendo que o maior arrependimento deles era ter me convidado, pois eu sempre estava nos shows, completamente bêbado, subia no palco pra cantar e desligava os pedais de guitarra, derrubava pedestal de microfone (hehehe). Redefiniu o rumo do hardcore melódico no Brasil, simples assim.

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06 – DEAD FISH – SONHO MÉDIO (1999)

Primeira banda que ouvi fazer hardcore melódico em português e que fazia algum sentido para mim, embora muito do que o Rodrigo cantasse estavam anos luz do meu entendimento de moleque bêbado na época, tudo fazia sentido de alguma forma. Aprendi muito com essas letras, mensagens e ideais que ficaram marcados para sempre na mente. Não havia nada que parecesse tão inteligente e esclarecedor na época como as letras desse álbum. A energia, as letras com consciência, tudo sobre nossa geração estava ali. Impossível não se emocionar vendo os shows dos caras, e eu sempre estava numa porção deles… Até hoje estou quando posso, e quando tocamos juntos, claro.

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07 – CPM22 – A ALGUNS QUILÔMETROS DE LUGAR NENHUM (2000)

A redefinição de hardcore melódico em português em estado bruto. Primeira banda brasileira do hardcore que falava sobre sentimentos, o que depois vieram à chamar de Emo aqui no Brasil. Jovem, rápido, sincero… O CPM me atingiu como um relâmpago. Mais uma banda que fazia letras em português e eu me identificava, e eu só ouvia bandas em inglês na época, então pra mim era como descobrir um outro planeta. Assisti de perto toda trajetória da banda entre o underground até ser uma das maiores bandas de rock do Brasil, e acabei fazendo também parte dessa história com algumas parcerias, e por durante tanto tempo temos dividido alguns músicos em comum. Esse disco, foi um sucesso estrondoso e todo mundo ia aos shows e cantava alto, era demais. Saudades dessa época de ouro do hardcore melódico.

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08 – HOT WATER MUSIC – CAUTION (2002)

No começo dos anos 2000, quando todo esse lance de emocore explodiu pelo mundo, os caras soavam diferente de 90% das bandas que já rolavam na época. Vocais gritados, som pesado, linhas de baixo e bateria poderosos e super sincados.

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09 – SUNNY DAY REAL ESTATE – HOW IT FEELS TO BE SOMETHING ON (1998)

Muitos vão dizer que é uma blasfêmia eu não escolher o “Diary”, mas enfim, esse disco me marcou muito na época em que ele saiu. Fazer essa escolha foi difícil até pra mim, mas enfim, acho que escolhi o disco que mais ouvi deles até hoje, pela relação que tem com minha vida.
Esse disco tem melodias mais complexas, é mais denso. FODA!

Essa banda é uma das melhores bandas do mundo pra mim, pena terem acabado. Porém, ainda tem os discos solo do Jeremy Enigk saindo um atrás do outro, aliás, tá pra sair mais um e eu recomendo muito!

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10 – FOO FIGHTERS – THE COLOUR AND THE SHAPE (1997)

O cara era baterista do Nirvana, maior banda de rock dos anos 90. Daí com o trágico fim do Nirvana, o cara largou tudo pra ser guitarrista, vocalista e letrista. Transformou seu projeto solo em uma das maiores bandas da história do rock mundial. Não precisa falar mais nada, né? Discasso! Só música boa! Rock!

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Sobre o autor

Bruno Palmito

Skate, kombi, shows, acampar e cerveja deixam-no mais perto daquilo que ele define como felicidade, se a trilha sonora for Punk Rock/Hardcore com pitadas de Ska, é um breve resumo da perfeição nessa vida. A música é a manifestação ideológica do sujeito, acredita Palmito.