terça-feira, 14 de agosto de 2018
Nada Pop

#026 – Os 10 álbuns de Débora Cassolatto (Debbie Hell)

Débora Cassolatto, a Debbie Hell – Foto: Amanda Fotografia

Se você está inserido no mundo alternativo e independente de São Paulo (ou não) é mais do que provável que você já tenha escutado esse nome: Debbie Hell. Por trás do pseudônimo de Debbie está a Débora Cassolatto, que exerce dezenas de atividades ligadas com o mundo da música: DJ, redatora, criadora da festa mensal GIMME DANGER, colunista de sites sobre música, dona do canal do Youtube Debbie Records, apresentadora de rádio, além de editora-rainha-sereia-queen dos blogs Ouvindo Antes de Morrer e Música de Menina. É provável que alguma coisa tenha ficado de fora desse resumo sobre a Debbie, mas não se preocupe, você pode saber um pouco mais sobre ela no site: http://debbiehell.com.br/

“Escolher 10 discos é uma missão ingrata, tô aqui já passando super mal porque não coloquei na lista Rolling Stones, mais bandas independentes e um monte de disco obrigatório, mas tava a fim de fazer uma seleção mais pessoal, cada disco por um motivo diferente. Não estão em ordem de preferência porque aí já é impossível”, diz Debbie com toda a maravilhosa sinceridade do mundo. Não deixe de ler a lista e, se possível, compartilhe!

O mais importante, sem dúvida, será ouvir algum desses álbuns (ou todos!).

Os 10 álbuns de Débora Cassolatto (Debbie Hell)

01 – BIÔNICA – SÃO PAULO SALOON: A DISCOTECA DO DIABO (2004)

O Biônica sempre foi uma das minhas bandas favoritas da cena alternativa de SP. Apesar de não se levarem muito a sério, seus shows pareciam um trem desgovernado caótico, e este disco é um masterpiece (com letras em português) de como uma banda pode ser divertida, espontânea, despretensiosa, e subversiva. Membros ativos da escola dos “meus mais sinceros foda-se”, a proporção 3 garotas para 1 cara em sua formação faz toda diferença. Ouço o disco inteiro em casa até hoje e discoteco algumas faixas por aí. Clique AQUI para ouvir.

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02 – ALLAH-LAS – ALLAH-LAS (2012)

Me perco muitas vezes na viagem desse primeiro disco do Allah-las. Pode ser para escrever alguma coisa, ficar vacilando deitada no tapete prestando atenção em cada nota, não importa. Não se perde uma música nesse álbum de garage-surf-psicodélico-californiano. Os clipes acompanham a brisa, e a história de parte da banda ter se conhecido na Amoeba Music completa o charme do álbum. Ouça AQUI.

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03 – VELVET UNDERGROUND – LOADED (1970)

Essa é a parte que montar essa lista começou a ficar desagradável. O ~certo seria colocar o primeiro disco da banda, que foi uma tijolada na minha cabeça e rendeu tanta curva errada que agradeço até hoje. Fiquei tentada a colocar White Light / White Heat só por causa da música White Light / White Heat (EU SEI QUE É ERRADO!). Mas este álbum. É só colocar a agulha e eu já desmonto. É o disco do “vai ficar tudo bem”. O disco do domingo sem ressaca, do banho quente. Foi esse disco que fez eu me apaixonar pela voz de Lou Reed. Escute AQUI.

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04 – NINA SIMONE – FOREVER YOUNG GIFTED AND BLACK SONGS OF FREEDOM AND SPIRIT (2006)

Ok, eu sei que a gente não gosta muito de coletâneas, mas essa é realmente muito especial. Este é um compilado de músicas de 1967 – 1969, quando a luta dos direitos civis e Black Power nos EUA estava fervendo e Nina, interpretou músicas memoráveis como Mississippi Goddam, Ain’t Got No – I Got Life, To Be Young, Gifted and Black. Seu posicionamento político (incluindo apoio aos Panteras Negras) acabou fazendo com que Nina fosse boicotada, o que torna essa coletânea sobre suas músicas de protesto tão especial. Se emocione AQUI.

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05 – DAVID BOWIE – DIAMOND DOGS (1974)

Outro momento bem desagradável aqui. Sempre amei esse disco por causa do cenário niilista pós-apocalíptico, 1984, David Bowie real cool cat. Era esse disco que ouvia toda sexta enquanto me maquiava antes de sair pra arranjar confusão. Tinha birra de Ziggy Star Dust porque todo mundo achava o álbum genial. Aí larguei de ser idiota, deixei a birra de lado, e hoje em dia ouço esse disco até furar. Mas Diamond Dogs tem Rebel Rebel. Fim. Viaje no som AQUI.

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06 – T.REX – ELECTRIC WARRIOR (1971)

De quando o T.Rex largou com aquela palhaçada de folk e foi pro glam rock. Na verdade esse é considerado por muitos o primeiro álbum de glam rock ever, e não sou eu que vou discutir. Apesar de não conter a máxima 20th Century Boy, este é meu disco absoluto da banda e também um dos que eu ouço até levar multa de condomínio. Clique AQUI e ouça!

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07 – STOOGES – FUN HOUSE (1970)

Alá as controvérsia de novo. Pior que a briga Ramones x Sex Pistols é “Qual é o melhor álbum dos Stooges: Funhouse ou Raw Power?” Aí começa a discussão eterna, que já deu briga feia até aqui em casa. Minha resposta sempre foi Raw Power, aff, óbvio, (tenho uma festa chamada Gimme Danger, inclusive). Mas quando estou mais metida a doida, mexe-comigo-que-ce-toma-garrafada, é Funhouse, lógico (tenho uma tatuagem de T.V. Eye, inclusive). Aí vi que o Caio do Sky Down escolheu o Raw Power na lista dele logo aqui atrás, então vou mandar o Funhouse pra dar equilíbrio no universo. Para quebrar tudo clique AQUI.

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08 – AMY WINEHOUSE – BACK TO BLACK (2006)

Ninguém mostrou as entranhas, misturou tanta dor e talento em forma de músicas maravilhosas tão bem, e tão tragicamente como Amy. Esse álbum, que costumava ser um companheiro (só a sinceridade visceral de suas letras poderia entender o que estávamos sentindo), agora é um marco que jamais deverá ser esquecido. Relembre AQUI.

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09 – HOLE – LIVE THROUGH THIS (1994)

Foi a Courtney Love com esse disco, sua maquiagem borrada, vestidinhos de kinder whore, clipes e letras, que me ensinaram na época do colégio que eu poderia ser uma bitch from hell, usar maquiagem, ouvir os discos que eu quisesse, ser quem eu quisesse, usar uma coroa de princesa, e girar um canivete, tudo ao mesmo tempo, que ninguém tinha nada com isso. Obrigada, inclusive <3. Ouça AQUI.

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10 – NEW YORK DOLLS – NEW YORK DOLLS (1973)

O logo.
A capa.
As músicas.
A referência às Shangri-Las em Looking For a Kiss.
As encharpe de velha de bingo.
Minha banda favorita do proto-punk-mate-me-por-favor. Para ouvir clique AQUI.

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Sobre o autor

Maurício Martins

Jornalista, pai da Maria Stella, fã de quadrinhos e ficção científica. Aficionado por música, especialmente pelo punk e hardcore. Também é idealizador e editor do Nada Pop.

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