quinta-feira, 24 de Maio de 2018
Nada Pop

#023 – Os 10 álbuns de Ana Zumpano (Lava Divers)

Ana Zumpano em ação – Crédito: Toca a Fita

Ana Zumpano é baterista e uma das vozes da banda mineira Lava Divers, com influências indie, lo-fi, shoegaze e power pop. Lançaram em 2014 o EP de nome homônimo ao da banda com quatro faixas que pode ser ouvido e baixado AQUI. Desde então a banda segue na estrada realizando shows, chegaram a participar do Showlivre e a apresentação do grupo no programa pode ser assistida AQUI.

Além do EP, também lançaram um single, três clipes e atualmente preparam o seu primeiro álbum, previsto para o segundo semestre de 2016. Ana também toca bateria e canta no duo Ocimoon, junto com o DIAZS, no qual acabaram de gravar o primeiro EP com previsão de lançamento ainda neste semestre.

Recentemente participou do Girls Rock Camp Brasil, onde foi instrutora de bateria, roadie e instrutora de expressão corporal. O Girls Rock Camp Brasil é um acampamento de rock e empoderamento de meninas, para saber mais sobre o projeto basta acessar o link: http://www.girlsrockcampbrasil.org/

Ana também fez teatro, teve grupo de teatro e de dança de rua, banda punk e adora escrever (você poderá perceber isso na descrição dos álbuns selecionados por ela). Confira abaixo suas escolhas e tente não gostar ainda mais da Ana – se você já não a conhece – ou passar a admirá-la após essa lista.

Os 10 álbuns de Ana Zumpano (Lava Divers e Ocimoon)

01 – Nirvana – Nevermind (1991)

Um dia saí da escola e passei com os amigos na casa de um deles, que por ser de fora da cidade, já morava em uma república. Chegamos, nos jogamos no sofá da sala com algumas cervejas, alguns cigarros picados de menta e ele colocou o “Nevermind” pra tocar bem alto. Eu tinha 14 anos e “In Bloom” nunca mais saiu da minha cabeça! Depois disso, meus melhores amigos fizeram uma banda autoral. Os três faziam músicas próprias e tocavam Nirvana também. Eu acabava sendo roadie e, nas tardes livre da escola, ajudava eles a gravar no quartinho dos fundos. Nunca ouvi tanto Nirvana na vida!!! O grunge tinha chegado pra ficar.

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02 – The Cure – The Head on the Door (1985)

Meu pai era dj e sempre colocava “The Cure” para tocar em casa. Esse álbum começa com “In Between Days” e, no auge da minha adolescência, essa música comunicou muito comigo. Eu colocava no repeat e era capaz de passar uma tarde cinza inteira ouvindo e chorando um pouco (risos), só não ficava ouvindo só ela, porque esse álbum é a junção de vários singles incríveis e, eu precisava muito chegar no lado B e ouvir “Close To Me” repetidamente.

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03 – The Smiths – Hatful Of Hollow (1984)

Mais uma vez meu pai me influenciou, ainda bem!!! “Please, Please, Please Let Me Get What I Want” virou tipo um mantra na minha vida, escutava e ainda escuto repetidamente, achando uma das músicas mais lindas desse mundo.

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04 – My Bloody Valentine – Loveless (1991)

Loveless me deixou completamente entorpecida com timbres de guitarras que eu, até então, desconhecia. Aquela parede de guitarra, a bateria lá no fundo e aqueles vocais doces e obscuros criavam uma magia toda vez que eu colocava o álbum pra tocar e, assim permaneceu. Já ouvi dizer que foi um disco bem caro pra ser gravado e, pro meu coração, ele vale muito mesmo!

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05 – The Stooges – The Stooges (1969)

É o álbum de estreia da banda e traz uma das primeiras músicas que toquei em público na bateria: “I Wanna Be Your Dog”. Eu ficava fascinada com as microfonias no início, achava foda, eu lembro que ficava fazendo a condução numa garrafa de vinho, tinha essa brisa, achava que ficava igualzinho (risos). Adoro os solos tortos e a bateras punks, simples e cheias de groove ao mesmo tempo. Só depois disso ouvi Ramones, Sex Pistols e muito The Clash!

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06 – Sonic Youth – Washing Machine (1995)

Conheci a banda com esse álbum e foi muito marcante. Em algumas tardes eu fazia uma visita prum amigo e eram aqueles tipos de visitas em que ele me aplicava um som novo, mostrava o que ele estava gravando e me passava um café. Numa dessas visitas, cheguei lá no meio de uma chuva, o céu tava escuro, e ele falou que ia me aplicar um som que ia mudar meus conceitos sobre timbre (que era o assunto nosso do momento). Pra derreter um pouco mais minha cabecinha, ele apagou as luzes, acendeu uma vela e deu play no Washing Machine! Fiquei olhando fixamente pra vela e de fundo via a capa do albúm no pc. “The Diamond Sea” começou a tocar e foram os quase 20 minutos de música mais intensos. Quando terminou eu perguntei: pode isso? Pode ter uma música assim? E essas guitarras “desafinadas”, é normal? e a Kim, canta como ela quiser? É… foi quando eu aprendi que pode-se tudo!!! Sonic Youth é uma banda que me ensinou muita coisa, banda do coração.

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07 – Pixies – Doolittle (1989)

“Debaser”, “Here Comes Your Man”, “Monkey Gone to Heaven” e “Hey”, o que mais um álbum precisa ter pra ser bom? NADA! “Hey” era a música de todas as noites alucinantes de rolê com as minas! Em coro a gente cantava “must be a devil between us” e dava rolê até o roque mais próximo enquanto ainda havia noite! A gente acreditava que garotas boazinhas não iam pro céu! (risos, muitos risos).

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08 – Bob Dylan – The Freewheelin’ Bob Dylan (1963)

Difícil escolher um álbum do Dylan, passei uma vida inteira ouvindo suas músicas, mas na hora de escolher peguei esse, porque me lembro exatamente de quando tocou “Blowin in the Wind”, a primeira do disco e, desde então, essa música fez parte da minha vida, em momentos regados a bastante vinho ou café. Um tempinho depois me apaixonei por “Girl from the North Country” e cada verso dela conversa comigo. A poesia que existe nas canções, têm muita força.

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09 – George Harrison – All Things Must Pass (1970)

É o primeiro álbum solo de George Harrison e, foi também, o primeiro álbum triplo a ser lançado por um único artista. George Harrison é o meu beatle preferido, ouvi muito Beatles, mas, considero esse álbum o que marcou minha vida. Café, queijo, paieiro, rio, mato, céu aberto, estrelas e uma fase muito intensa da minha vida.

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10 – The Breeders – Last Splash (1993)

Noise, microfonia, riffs que grudam. Enquanto eu ouvia esse álbum, ganhava a certeza de tudo que eu gostaria de fazer com uma banda!

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Sobre o autor

Maurício Martins

Jornalista, pai da Maria Stella, fã de quadrinhos e ficção científica. Aficionado por música, especialmente pelo punk e hardcore. Também é idealizador e editor do Nada Pop.

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