terça-feira, 14 de agosto de 2018
Nada Pop

#014 – Os 10 álbuns de Amanda Rocha (La Burca)

Uma das coisas mais interessantes da séries “Os 10 álbuns”, com certeza é descobrir quais álbuns foram influentes na vida de uma músico. Mais do que isso, quais álbuns ajudaram a moldar os gostos e a forma e seu jeito de pensar música, além do sentir (claro).

Amanda Rocha, a vocalista da banda La Burca, no qual também toca um violão elétrico power foda, nos apresenta uma mistura bem interessante de álbuns que contribuem bastante para identificar na própria La Burca algumas das influências citadas, que vão desde o (neo)folk passando pelo (pos)punk e bandas alternativas. Vale a pena conhecer o trampo da banda logo após ler essa lista. Em outubro a dupla, nascida em Bauru, aterrissa em São Paulo com shows experimentais. Não perca essa oportunidade. Ahhh, não deixe de ler nossa entrevista com a banda AQUI.

#014 – Os 10 álbuns que influenciaram Amanda Rocha

01 – THE DURUTTI COLUMN – LC (1981)

Maravilhosamente melancólico, leve e abstrato na medida exata. A raiz do post-rock? Acho que tá mais pra arte sonora. Escuto esse álbum mês sim mês não há uns bons anos. Acho que é meu álbum favorito da vida. Quando eu escuto, parece que vejo pinturas. Único e inspirador.

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02 – NEIL YOUNG – HARVEST (1972)

“Neil Young é meu pastor e nada me faltará” – sou devota mesmo. Fundamental, foi um dos primeiros LPs que consegui e me marcou. Inspiração pra vida toda. Eu escuto o jovem velhinho direto, se tô triste, feliz, puta, doida… há algo de inexplicável e atemporal neste álbum.

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03 – LEONARD COHEN – SONGS ABOUT LOVE AND HATE (1971)

Lindo, lindo, lindo. Hinos poéticos-acústicos uns atrás do outro. A voz aveludada dele veste o dia, tarde e noite e o coração. Avalanche, Love calls you by your name… absurdo este álbum. Uma vez, há uma década atrás, eu subi no telhado de um prédio onde morava pretendendo fazer um som que remetesse, lembrasse algo… tava na pira desse disco… saiu algo completamente diferente, mas totalmente influenciado por ele. Gratidão a esse senhorzinho.

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04 – L7 – HUNGRY FOR STINK (1994)

Quando vi pela TV estas doidas no Hollywood Rock em 93, fiquei eletrizada e nunca mais seria a mesma, tinha 11 anos e pensei: posso ser assim também.. ae fodeu (haha). Hungry for Stink me pegou, lembro que fui comprar e escolhi este, não sei porquê – acho por que era lançamento, sei lá, até hoje tá na estante. “Andreas” foi o hino grunge feminino e de uma vida pra mim, sem Suzi, Donita, Jennifer e Dee acho q não estaria fazendo nada do que faço hoje.

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05 – THE FALL – BEND SINISTER (1986)

Mark Smith e trupe fizeram parte de um longo período sonoro da minha vida, eu realmente fiquei viciada em The Fall, me desintoxiquei e agora posso ouvir saudavelmente… rsrs

Como também toco baixo, gosto muito das linhas de baixo, além do estilo da guitarrista Brix. Puta banda post-freak-punk querida, guardo este LP com carinho. É uma banda que tá na ativa desde o começo dos anos 80, obrigatória na minha construção sonora, principalmente nas improvisações que depois também se tornam canções.

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06 – WIPERS – IS THIS REAL (1979)

Greg Sage é um “alien” da guitarra de punch, climática, sinistra, urgente… enfim. Esse disco apavora em todos os sentidos, influenciou muito o grunge, bandas alternativas, clássico. Há uma urgência calma e uma tragédia iminente bradada nas composições. Eu escutei pra “kct” esse som e os outros deles, tenho uma tatuagem do disco “The Circle” na minha perna.

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07 – HAZEL – ARE YOU GOING TO EAT THAT? (1995)

Uma banda meio injustiçada da Supbop – sei lá- sempre pensei assim… rsrs – Só lançaram dois álbuns, esse é o segundo, acho fantástica, power-pop-grunge-trio com um bailarino desengonçado no palco, os “duetos” e alternâncias vocais entre Pete (guitarrista) e Jody, a baterista, é foda demais e me pegaram muito… Um dos meus favoritíssimos, escuto sempre, gosto muito do encarte do CD também porque é difícil ler as letras, acho massa, porque te incentiva a descobrir o que porra tão cantando. Já chorei escutando, poguei, faz parte da minha vida sonora.

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08 – CAN – TAGO MAGO (1971)

Escutei bastante este álbum com meus 20 e poucos anos e muita fumaça e até hoje retomo, até pintei uma camiseta verde psicodelia – que agora tá mais pra um patch. Krautrock fino no ápice. Foda… teve uma época que curtia muito improvisar (e ainda gosto) e foi uma baita base pra experimentação. Dae conheci Faust, Neu!, Amon Düül…

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09 – RAMONES – RAMONES (1976)

Aprendi a tocar escutando discos dos Ramones (e uns sons de Rauzito), achei fácil e nunca quis aprender a ler partitura, culpa de Dee Dee! “53rd e 3d” é a minha preferida, quem poderia escrever uma estrofe tão tosca e sincera “Then I took out my razor blade, then I did what God forbade, Now the cops are after me but I proved that I’m no sissy”. Eterno 1,2,3,4!

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10 – “CLUBE DA ESQUINA – 1” (1972)

Sempre escutei este álbum com meu pai e é um disco que curto muito mesmo, faz parte de minhas lembranças da infância… desde pequena eu gravava uns sons no 1º gradiente, e escutava muito isso na época juvenil, além de muita música clássica e bossa nova. Depois quando adolescente revoltei, claro, e hoje retorno às origens sem neura e preconceito teenager.

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Estes poderiam entrar facinho nesta lista, na verdade são os meus 20 favoritos… rsrs – Alterno estes com os que citei acima:

– Nico – Chelsea Girl
– Meat Puppets – Up on the Sun
– Joy Division – Unknow pleasure
– Mudhoney – Superfuzz Bigmuff
– Nirvana – Bleach
– Sonic Youth – Sister

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Sobre o autor

Maurício Martins

Jornalista, pai da Maria Stella, fã de quadrinhos e ficção científica. Aficionado por música, especialmente pelo punk e hardcore. Também é idealizador e editor do Nada Pop.

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