terça-feira, 20 de novembro de 2018
Nada Pop

#013 – Os 10 álbuns de Matheus Krempel (The Bombers)

“Quando eu recebi essa missão, além da falta de tempo, a coisa que mais pegou foi: como escolher 10 discos, apenas 10? Não quis ser injusto comigo e nem com os discos que ficaram de fora. Acho que no final das contas, a lista seria essa”, assim explica Matheus Krempel, do The Bombers, sobre os 10 álbuns que mudaram sua vida ou sua percepção sobre música.

Conheci o Matheus há poucos meses, simpatia em pessoa. Mesmo com altos e baixos envolvendo o The Bombers, inclusive com uma pausa que quase culminou no fim da banda, o amor pela música sempre foi mais forte. Tão forte que o álbum “All About Love”, lançado no ano passado e que consegue transmitir esse sentimento pela música, independente das barreiras e dificultadas do dia a dia, simboliza claramente uma maturidade e evolução musical longe de rótulos ou interesses mercadológicos. É um álbum para se colocar no repeat o dia inteiro.

Os álbuns selecionados pelo Matheus, que claramente foram influentes na música e na sua vida, estão presentes de algum modo no “All About Love”, basta ouvir o álbum. Os Sex Pistols estão em “My Way My Strenght”, os Beatles em “Let The River Flow”, Rancid em “Blood On The Streets” e por aí poderíamos seguir.

É a prova daquela frase clichê dizendo que “somos a soma de todas as nossas decisões”. Boas ou más, não importa. Mais uma vez trazemos uma lista que apresenta a história de alguém por meio da música.

#013 – Os 10 álbuns que influenciaram Matheus Krempel

01 – THE BEATLES – PLEASE PLEASE ME (1963)

Esse foi o primeiro disco de rock que eu descobri, na coleção dos meus pais.
Eles tinham muitos discos de MPB e resolvi buscar algo que eu me identificasse. Quando coloquei a agulha nesse play, viciei na hora. Aquela abertura com Paul McCartney cantando “I Saw Her Standing There”, se transformou na trilha sonora da minha infância. A quantidade de bons refrões é incrível. “Love me Do”, “Please Please Me”, “Baby Its You” e o cover de “Twist and Shout” já valem a audição.

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02 – THE ROLLING STONES – EXILE ON MAIN STREET (1972)

Eu sempre fui fã do Stones e conhecia boa parte do repertório da banda. Tudo sempre muito bom. Anos atrás, resolvi dissecar esse tão falado álbum de cabo a rabo. Desde então, não parei mais de ouvir. Durante a época de concepção do “All About Love”, esse disco foi uma das minhas maiores inspirações. Pra entender o que eu estou falando, escute “Rocks Off”, “Rip this Joint” e “Happy”. Um disco divino onde rock and roll, blues, soul, country e gospel se misturam sem causar estranheza.

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03 – SEX PISTOLS – NEVER MIND THE BOLLOCKS, HERE’S THE SEX PISTOLS (1977)

Foi um amigo que me apresentou esse disco.
Ele tinha o singelo apelido de “Ramones” e apareceu em casa, um dia a tarde.
Colocou a porra do disco na vitrola… Dois minutos depois eu estava ensandecido no quarto. Pulava em cima da cama e urrava que nem um fugitivo do hospício. Peguei um violão e arrebentei-o no chão. Não satisfeito, arrebentei a porta do armário chutando a porta, com meu all star surrado. Até hoje eu não sei que força foi aquela que tomou conta de mim. Só sei que de certa forma, foi um divisor de águas. Não consigo destacar nenhuma musica em especial. Seria injusto demais com a obra.

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04 – D-GENERATION – NO LUNCH (1996)

Não lembro como eu descobri esse disco. Faz muito tempo, mas com certeza é um dos meus álbuns favoritos de punk rock. Você sente a urgência em cada música, em cada riff e principalmente na interpretação visceral do Jesse Malin.
Uma banda de certa forma obscura e um disco extremamente indispensável. Uma verdadeira obra-prima, ótimas melodias. Influências de Ramones, New York Dolls e um lado Glam. Experimente “She Stands There”, “Too Loose” e “No Way Out”.

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05 – NWA – STRAIGHT OUTTA COMPTON (1988)

Lançado em 1989 e, em minha opinião, o melhor disco de rap da história.
A formação é bastante conhecida e dispensa apresentações com Ice Cube, Dr. Dre e Eazy-E (verdadeiras lendas do Hip Hop). Esqueçam o rapzinho sem vergonha feito hoje em dia. This is the Real Deal. Straight Outta Compton, a faixa título, é incrivelmente pesada, brutal e mil vezes mais hardcore que muita banda “rockeira” por aí. Dê uma chance a esse disco. Destaque também para “Fuck tha Police”, “Express Yourself” e “If It Ain’t Ruff”.

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06 – GUNS N’ ROSES – THE SPAGHETTI INCIDENT? (1993)

Eu já era fã de Pistols, Ramones, mas esse álbum tinha uma frase no final do encarte: “Do yourself a favor and go find the originals”. Foi o que eu fiz. Descobri Dead Boys, Misfits, New York Dolls, Fear, Iggy and The Stooges, UK Subs, The Damned, T-Rex e Charles Manson(hahahahahahaha). Honestamente. Thanks Guns n Roses!

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07 – OPERATION IVY – ENERGY (1989)

Foi o disco que me fez, mais do que nunca, querer tocar Ska. Descobri lendo uma resenha do “And out come the Wolves”, do Rancid. Nessa resenha, o autor explicava que o Ska que a banda estava tocando, era uma busca das raízes da antiga banda do Tim e do Matt, o Operation Ivy. Fui até a loja Sound of Fish, em Santos, que era aonde íamos atrás de discos de punk rock e afins. Procurei, procurei e voilá! Paixão a primeira audição.

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08 – RANCID – LIFE WON’T WAIT (1998)

Eu descobri o Rancid em 1994 com o clipe de Nihilism. Pirei forte no “Let’s Go”, comprava uns VHS de bootlegs dos caras e aguardava o “…And out come the Wolves”, que eu também chapei quando ouvi. Agora o estrago causado com o “Life Won´t Wait” foi imensurável. O que era punk ficou mais punk, o que era ska ficou mais ska ainda e as experimentações mostraram uma banda que ia muito além do puk rock conservador, que várias bandas vinham tentando copiar. Para alguns, não é nada além do que um “London Calling” requentado, o que não seria ruim tendo em vista que esse é o melhor álbum do Clash. Para mim foi a prova viva de como o punk rock deveria ser: livre e selvagem.

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09 – BACKYARD BABIES – TOTAL 13 (1998)

Conheci a banda pelo visual, lendo uma edição da revista Kerrang. Encomendei meu disco, na época o dólar estava 1 pra 1 e quando toquei pela primeira vez, fiquei ouvindo por meses e meses. “Look At You”, “Hey I´m Sorry”, “Robber of Life” e tantas outras, sempre na mesma pegada punk hard rock.

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10 – SOCIAL DISTORTION – SOMEWHERE BETWEEN HEAVEN AND HELL (1992)

Um dos únicos discos que eu sei tocar todas as músicas. Incrível o poder de composição do Mike Ness nesse álbum. Punk, rock e country totalmente diluído em um disco coeso, forte e de ótimos refrões.

“Bad Luck”, “When She Begins” e “Cold Feelings” já seriam suficientes para tornar o álbum um clássico, mas você ainda tem as versões de “King of Fools”, do Ed Bruce, e “Making Belive”, do Jimmy Work, além de “99 to life” que lembra Johnny Cash.

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Gostaria de fazer uma menção extremamente honrosa aos seguintes álbuns nacionais:

– White Frogs – “Be Positive”
– Blind Pigs – “SP Chaos”
– Beach Lizards – “Spinal Chords”
– Little Quail and The Mad Birds – “Lírou Quêiol en de Méd Bârds”
– Carbona – “Back to Basics”
– Garage Fuzz – “Turn The Page… The Season Is Changing”

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Sobre o autor

Maurício Martins

Jornalista, pai da Maria Stella, fã de quadrinhos e ficção científica. Aficionado por música, especialmente pelo punk e hardcore. Também é idealizador e editor do Nada Pop.

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