quinta-feira, 24 de Maio de 2018
Nada Pop

#010 – Os 10 álbuns de Wagner Cyco

Não há quem conheça o Wagner Cyco e não saiba do quanto suas habilidades na guitarra se igualam ao seu caráter e competência nas coisas que faz e realiza dentro ou fora dos palcos. A guitarra, essa o grande amor da sua vida, trabalha a favor das bandas Mollotov Attack e Irmã Talitha. Parecidas no estilo, porém com cada uma apresentando uma proposta diferente, trazem questões sobre a sociedade e política, promovendo um relato natural de suas próprias convicções. Não são bandas que forçam a barra ou fingem algo que não são, ao contrário, vá ao show do Mollotov, por exemplo, é presencie uma performance que lembrará The Clash ou Dead Kennedys, tanto quanto ou até um pouco mais agressivo.

Abaixo os álbuns que influenciaram artística e pessoalmente um dos melhores guitarristas de nosso tempo, que consegue agregar como poucos em seu estilo de tocar a técnica com a agressividade, e que além disso tudo, é nosso amigo e temos grande prazer de falar dos seus 10 álbuns.

#010 – Os 10 álbuns que influenciaram Wagner Cyco (Mollotov Attack)

01 – Tim Maia (1971)
Minha mãe ouvia Tim o tempo todo quando eu era moleque. Pirava no vozeirão do cara, lógico, mas deve ter sido a primeira vez em que me peguei prestando atenção no instrumental, acompanhando aquelas linhas de baixo fantásticas e os metais que praticamente falavam. Mudou pra sempre o jeito que eu ouvia música. Nem sei se era esse mesmo o que mais tocava em casa. Rolava muito também aquele “O melhor de Tim Maia”, de 1989, mas com certeza o 71 era o meu preferido.

01 - Tim Maia

02 – Metallica – Master of Puppets (1986)
Esse disco foi o responsável por me enfiar de vez no thrash metal, e por me fazer conhecer Slayer, Tankard, Anthrax, Megadeth, Kreator, Sepultura, Pantera… Se não fosse por ele talvez não tivesse ouvido o “Kill ’Em all” ou o “Ride the Lightning”, que gosto bem mais, inclusive (risos).

02 - Metallica

03 – Raimundos – Raimundos (1994)
Cara, esse foi a prova definitiva que dava pra fazer som pesado, rápido, sujo, falar qualquer coisa que eu quisesse e ainda por cima em português. Tinha que esperar a família sair de casa pra ouvir, já que na época a mãe lavava a boca com sabão de quem falasse tanto palavrão.

03 - Raimundos

04 – Ultraje a Rigor – Nós Vamos Invadir Sua Praia (1985)
Introdução ao mundo do rock e ao rock nacional. Ganhei o vinil do meu pai de aniversário, se não me engano. Tinha uns sete anos de idade. Apesar das declarações infelizes dadas pelo sr. Roger nas redes sociais atualmente, defendendo a supremacia burguesa e o status quo, foi provavelmente o disco que me estragou pra sempre.

04 - Ultraje

05 – The Jimmi Hendrix Experience – Are You Experienced? (1967)
Nem consigo descrever o que senti ouvindo esse play. Parecia completamente alucinado e entorpecido pelo som. Tem tudo cara. Foxy Lady, Manic Depression, Red House, Fire, Stone Free, Purple Haze… Até hoje me sinto completamente chapado ouvindo May This Be Love.

05 - Jimi Hendrix

06 – Ramones – Loco Live (1991)
Eu nunca fui muito fã de álbuns ao vivo. Sei lá, achava que essa energia era exclusiva da beira do palco, que era impossível captar. Aí veio o Ramones, me deu um tapa na cara e jogou tudo o que achava esgoto abaixo. Me lembro de noites inteiras curtindo com os amigos e esse disco num repeat infinito. Era one, two, three, four até o dia amanhecer. E continuava (hahahahaha).

06 - Ramones

07 – Suicidal Tendencies – Join the Army (1987)
Escolher um disco só do SxTx é quase desumano. Sou completamente viciado no “Freedumb”, no “Lights… Camera… Revolution!”. Mas o “Join the Army” é bom demais. Aquela primeira guitarra me arrepia até hoje, e acho que ainda tem muito daquilo no meu jeito de tocar, still (cyco) after all these years!!

07 - Suicidal Tendencies

08 – Cartola II (1976)
Esse disco foi um grande aprendizado. Foi onde entendi o poder que tem as palavras. Da importância da harmonia entre o canal e a mensagem. Foi quando entendi que não precisa sair falando um monte de coisas só pra encher os compassos. Que é muito mais importante falar a coisa certa, nem que seja uma só palavra. Que como compositor você tem que respeitar a inteligência de quem te ouve. Que precisa deixar que as pessoas completem as lacunas com suas próprias experiências, pra que a música deixe de ser um detalhe no segundo plano, uma história sendo contada por outra pessoa e passe a ser parte da vida de quem ouve. É aí que reside aquela mágica de sentir que aquilo foi escrito pra você, saca?

08 - Cartola

09 – Os Cabeloduro – Tudo Que a Gente Tem (2004)
Esse é o disco que eu queria ter gravado! (risos) É um disco legal, com dinâmica, com um monte de música totalmente diferente uma da outra e que não soa como uma coletânea. Ele faz sentido! Acho uma verdadeira aula de como se fazer um grande disco. Sem contar que as músicas são muito boas, todo mundo fez um grande trabalho. Considero ele a versão nacional do que o Clash fez com o “London Calling”, nas devidas proporções.

09 - Os cabeloduro

10 – Terror – One With the Underdogs (2004)
Este disco veio parar nas minhas mãos em um momento difícil, onde o que deveria ser o alicerce dos meus planos e aspirações se mostrou uma aposta errada. Suas mensagens de incentivo foram fundamentais no processo de reconstrução, e me mostraram o tamanho da responsabilidade que carregamos cada vez que nos dirigimos ao microfone e a diferença que podemos fazer na vida das pessoas. Muito mais que uma influência musical (afinal, esse disco é meu referencial de gravação, mixagem e masterização), uma influência na minha vida.

10 - Terror

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Sobre o autor

Maurício Martins

Jornalista, pai da Maria Stella, fã de quadrinhos e ficção científica. Aficionado por música, especialmente pelo punk e hardcore. Também é idealizador e editor do Nada Pop.

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