sexta-feira, 25 de Maio de 2018
Nada Pop

#008 – Os 10 álbuns de Thiagones (Wiseman)

Thiagones é vocalista de uma das bandas mais bacanas da atualidade da cena de São Paulo, o Wiseman. Um rock puxado para o grunge, mas com leve queda para o stoner, com uma pitada de punk. Resumindo, uma mistura interessante e que torna o som da banda único, mas ao mesmo tempo traz uma certa nostalgia ao se ouvir, porém muito longe de ser entendiante.

Para conferir algumas resenhas e entrevistas do Wiseman e ficar ligado nessa banda, recomendados essa matéria bem bacana do Music Wall sobre a banda, além de uma entrevista que os caras deram para o Portal Daily Hardcore. Para conferir tanto a matéria quanto a entrevista basta clicar AQUI e depois AQUI.

Para falar dos 10 álbuns que viraram sua cabeça, convidamos o Thiagones – que não precisou de muito tempo – para selecionar os álbuns e contar como cada um desses discos entrou na sua vida. Confira!

#008 – Os 10 álbuns que influenciaram Thiagones

01 – NIRVANA – IN UTERO (1993)

Nirvana foi a banda que me trouxe pro rock’n’roll. Simples assim. Com 11 anos eu saí de casa pra ir comprar esse CD numa extinta loja de discos no Centro da Penha. Meu pai queria que eu levasse um Aerosmith ou Rollings Stones, Nirvana era porcaria, barulheira sem sentido.

Pra mim, quando conheci a banda, devo ter tido a mesma sensação que os punks da Vila Carolina (quando ainda não eram punkx) tiveram quando viram o 1° LP do Ramones. Além disso tudo, grande parte da minha educação “humana”, que me fez NÃo ser um adulto homofóbico, racista, classista, machista, veio justamente das entrevistas, dos discursos e das letras do Cobain.

Se eu tivesse de escolher UMA banda que mudou a minha vida, só uma, seria essa. NIRVANA!

01 - NIRVANA - In Utero

02 – HAZEL – TOREADOR OF LOVE (1993)

Não há como negar a importância que a MTV teve na formação de uma geração de roqueiros nos anos 90. Eu sempre assistia os programas Lado B, Fúria, Gás total etc. No Lado B, a temática era mais pra parada indie alternativa, underground, não era exatamente de “rock pesado”, então, tecnicamente eu gostava menos (coisas da adolescência, né?).

Foi então que certo dia eu vi o clipe de “Comet” do Hazel e pensei: “Porra, bitcho. Isso é Maneiro”. Esperei pra ver a reprise do programa e gravei o clipe em VHS. Até aquele momento, era tudo o que eu sabia da banda. Em outra edição do programa, passou o clipe de outro som, “Day-Glo”, pronto, já tinha me tornado um fã da banda mesmo só conhecendo dois sons.

Anos depois (bastante tempo depois), com a internet e os Kazza / Soulseeks, consegui finalmente saber qual era a dessa banda. Hazel foi um power trio “grunges” melódico de Portland, Oregon. Duraram apenas 2 EPS e um disco full, o Toreador of Love.

A batera de cabelinho de “menininho”, Jody Bleile depois do curto tempo do Hazel, fundou a banda LesboFeminista (se posso chamar assim) Team Dresch, que é sensacional também. Resumindo, I Love Hazel.

02 - HAZEL - Toreador of Love

03 – FARSIDE – RIGGED (1994)

O Farside ficou esquecido durante uns três anos no meio das milhões de músicas que eu tinha (e tenho) no PC. Acredito que quando eu peguei pra ouvir a banda, foi o momento certo.

A Revelation Records é um selo fudidasso e que botou na praça uma série de bandas que vinham daquela cena hardcore americana dos anos 80, mas com uma roupagem bem diferente. Era uma cena à parte, paralela à cena de Seattle, por exemplo.

O Rigged é a obra prima do Farside, tem os sons mais “conhecidos”, acho que é Audience / Square One e Gesture. É distorção e melodia do início ao fim, ótimos riffs e melodias vocais. Farside tornou-se uma das minhas bandas favoritassas, e o Rigged é meu Play Favorito (O meu é autografado) hehe.

Obs: Pra quem não sabe, o guitarrista que fez a gravina dos primeiros discos do Farside foi o Zach de La Rocha, ok? hehehe

03 - FARSIDE - Rigged

04 – QUICKSAND – MANIC COMPRESSION (1995)

Mais uma pérola que a Revelation lançou nos anos 90, Quicksand. Esse é o álbum clássico da banda.

Na época (90’s) post-hardcore era isso aqui, e não era essa rapaziada berrante com olhos pintados e cabelinho de chapinha caindo nos olhos. Quando eu cito POST HC de influência no Wiseman, é DISSO que eu estou falando. É metal, punk, post, melódico furioso. É TUDO, É Quicksand, e a arte desse álbum tá na pele, pra sempre.

04 - QUICKSAND - Manic Compression

05 – DEAD FISH – AFASIA (2001)

Quando eu adentrei na cena hardcore de SP/Brasil, o Dead Fish era de longe a minha banda de cabeceira. Vi shows do “Sonho Médio”, mas ainda estava engatinhando no rolê, quando o Afasia saiu eu já sabia o que era o que.

O Afasia (pra mim) é o melhor disco do DEAD FISH e sempre vai ser. Atingiram o equilíbrio perfeito entre peso, velocidade, melodia, letras certeiras e pontuais com ótimas métricas. É um disco ao mesmo tempo Simples & Complexo.

Afasia, Proprietários do 3° Mundo e Perfect Party, são trêss sons que tem uma pegada diferente pra época. Lembro da sensação de ouvir a levada de guitarra da Perfect Party, Afasia, aquilo te puxava pro mosh pit, pra pular. Ao mesmo tempo, o disco tem Tango, que é sensível e direta.

Sem dúvidas é o melhor de todos.

05 - DEAD FISH - Afasia

06 – FUN PEOPLE – ANESTHESIA (1999)

Eu já tinha ouvido falar do Fun People na época, era uma banda argentina, mas nunca tinha escutado. Quando consegui ouvir (idos de 2000), eu pirei. Anabelle é meu song favorito deste play que até hoje é o meu favorito deles.

O Fun People abriu minha cabeçona e me mostrou que o rock não acontece só no Brasil, USA e UK. Tem bandassas pela América do Sul toda, Chile, Argentina, Uruguai etc. Depois do Fun People, eu saía procurando bandas cantando em castellano/espanhol e descobri muita coisa.

06 - FUN PEOPLE - Anesthesia

07 – TIM MAIA (1978)

O Mestre, O síndico, o maior musicista que esse país já teve. Sem dúvidas, o verdadeiro REI. Quando a gente cresce, passamos a abrir a mente pra outros tipos de sons, ai descobrimos essas maravilhas.

Tim Maia é um gênio, e não há nada que eu possa dizer que não tenha sido dito e que acrescente algo na maravilhosa biografia do Síndico. Este é um LP de 1978 e que é todo em Inglês. Só sonzeira, pra quem diz que os discos Racional 1 & 2 são os melhores, eu não acho. Os três primeiros e este de 1978 são meus favoritos.

Mas vindo do síndico, é tudo “UH UH UH, Que beleza”.

07 - TIM MAIA - 1978

08 – CASSIANO – APRESENTAMOS O NOSSO (1973)

Na onda do Soul Black Maia Tim, eis um grande parceiro do síndico. Cassiano. Assim como a maioria, só descobri esse gênio por intermédio dos Racionais. E quando ouvi esse primeiro LP do Sr. Cassiano, fiquei abismado. Soul Black Blues da melhor qualidade.

Cassiano é uma desses criadores que influênciou Toda uma geração de Crias, mas que acaba sempre na sombra dos rebentos. Recomendo este discasso desse mestre.

08 - CASSIANO - Apresentamos o Nosso

09 – BLACK SABBATH – MASTER OF REALITY (1971)

Ozzy, Iomi, Ward e Butler.
É Black Sabbath, qualé? Precisa explicar?

Esses caras meio que inventaram o “som pesado”.
Deram todo o background para que nas gerações seguintes as guitarras, riffs, ficassem mais e mais pesadas.

O Master of Reality é o 3°rão do Sabbath, e é pedrada do início ao fim. Só musicasso, ouço o LP todo sem pular nenhuma faixa. E além das pauleiras, tem a bela balada Solitude, sacramentando o Sabbath como algo muito além do que só Metal, rock pesado.

É Black Sabbath, qualé.

09 - BLACK SABBATH - Master of Reality

10 – RED HOT CHILI PEPPERS – ONE HOT MINUTE (1996)

Com certeza é o disco mais pesado e agressivo dos Chili Peppers, acho que é por isso que eu gosto tanto.

Era 1996. O Grunge já tinha esfriado, a “nova moda musical” da época era o NÚ Metal, Spice Girls e Backstreet Boys.

Nessa época, todas as bandas que estouraram pelos idos de 1991/1992 já estavam ficando em baixa, e com os Chili Peppers não foi diferente. Para os Peppers, a “diversão” da época do Blood Sugar Sex Magic já não existia mais.

Trocavam de guitarristas constantemente e ainda enfrentavam os diversos problemas com drogas do Anthony Kiedis, o que fez a banda demorar 4 anos pra lançar um novo disco.

Dave Navarro se efetivou nas guitarras, recém chegado do Jane’s Addiction, e foi ele que mudou completamente a cara dos Peppers. Neste disco quase que não aparece aquela onda “Funk’n’Metal” que trouxe a banda pro estrelato. As letras tem tons mais sérios, temáticas bem adultas.

10 - RED HOT CHILI PEPPERS - One Hot Minute
Acredito que da fase pós estrelato (depois do Mother’s Milk), este seja o disco menos lembrado da banda, uma pena, pois é o melhor. É rock pesado, guitarra altassa e bem distorcida, riffs e solos com Wahs e Reverbs.

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Sobre o autor

Maurício Martins

Jornalista, pai da Maria Stella, fã de quadrinhos e ficção científica. Aficionado por música, especialmente pelo punk e hardcore. Também é idealizador e editor do Nada Pop.

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