quinta-feira, 24 de Maio de 2018
Nada Pop

#002 – Os 10 álbuns de Boqa (Penhasco)

Ele é ex-vocalista de uma banda que tinha o melhor nome do universo. A banda F.O.M.I., sigla que representa “Foda-se o Mundo Inteiro”, terminou mas não antes de deixar a sua marca. Na web você encontrará fácil algumas apresentações da banda e talvez até um split. Recomendo que você procure pelas músicas “Viêmos alargar o ânus do papa”, “Massive suicide of all the human kind” e “Enfia seu Orgulho no Cu”.

Eduardo Santana, ou Boqa, como é mais conhecido, hoje é vocalista de uma banda chamada Penhasco. No Facebook os caras resumem as influências da banda em anos 90, metal alternativo e o rock progressivo. Em 2014 participaram da coletânea Fuzz Feelings, lançada pelo selo Howlin Records, que trouxe bandas independentes num tributo romântico. Ao Penhasco coube interpretar Let’s Get It On, do Marvin Gaye. Para ouvir CLIQUE AQUI. Abaixo você confere os 10 álbuns que mais influenciaram o Boqa na música e até na vida.

#002 – Os 10 álbuns que influenciaram Boqa (Penhasco)

01 – BLACK SABBATH – VOLUME 4 (1972)

Até então metal só falava de dragão ou que você devia correr para as colinas. Aí topei com esse disco e amplifiquei minha ótica como quem lê Hesse pela primeira vez. Faixas instrumentais como “FX” ou mais pessoais como “Changes” apontaram um novo norte no que eu entendia como metal: bandas pesadas podem ter faixas que destoam do peso. E a forma como o disco soa é algo incrível. Uma obra de arte!

01 - Black Sabbath - Volume 4

02 – CARTOLA – CARTOLA (1974)

O sambista e compositor semi-analfabeto, que viveu em uma comunidade carente (sobre)vivendo de sub-empregos, tinha 66 anos quando gravou este disco. Na minha opinião, é disco mais punk da música brasileira. Começa com “Disfarça e Chora” e termina com “Alegria”.

02 - Cartola - Cartola (1974)

03 – BAD BRAINS – BAD BRAINS (1982)

Esses pretos quebraram um paradigma de um cenário de roque predominantemente branco além de abrir mentes para diferentes gêneros musicais com seus instrumentos. Bad Brains é uma conexão espiritual, algo sobre manter-se positivo e encontrar respostas em vez de falar sobre as questões/dúvidas. Esse disco re-inventa o punk rock além de mostrar novos caminhos soando atual até hoje.

03 - Bad Brains - Bad Brains (1982)

04 – PATIFE BAND – CORREDOR POLONÊS (1987)

Elementos do jazz, jovem guarda e da música regional além de um cover “Vida de Operário”, do Excomungados, criando um tsunami tendo como eixo a experimentação e misturados de forma perfeita. Foi um dos meus primeiros contatos com música (punk) experimental e dos mais importantes até hoje.

04 - Patife Band - Corredor Polonês (1987)

05 – NIRVANA – NEVERMIND (1991)

Segundo do Nirvana, não o melhor da discografia, mas o mais impactante e um grande divisor de águas. Esse disco extrapolou barreiras bem além da música. Pode-se considerar a Meca do grunge. Fez todo roqueiro que conhecia sentir-se representado de alguma forma e acabou com aquela onda de Metal Farofa de shortinho colado. As camisas de flanela tomaram às ruas e os porões reverberando até hoje.

05 - Nirvana - Nevermind (1991)

06 – RAGE AGAINST THE MACHINE – RAGE AGAINST THE MACHINE (1992)

“Bombtrack” abria o disco e logo na sequência já tínhamos “Killing In The Name”. Construções metal com vocais de rap (ao menos pra mim) era novidade na época, mas o que eles faziam iam muito além do metal e do rap. Um dos discos seminais para quem ousa entender o que foi a música alternativa produzida anos 90.

06 - Rage Against The Machine - Rage Against The Machine (1992)

07 – FAITH NO MORE – KING FOR A DAY… FOOL FOR A LIFETIME (1995)

Esse disco foi um mind-blow fodido pra mim na época. Por exemplo, a banda flerta com o R&B dos anos 70 em “Evidence”, country em “Take This Bottle”, funk big band em “Star A.D” e hardcore em faixas como “Digging The Grave” ou “Get Out”. Até solos de saxophone ouvimos nesse album, mas se pudermos classificar eu diria que é uma banda de Roque Pauleira/Metal. Em suma, esse disco nos diz que a inconstância e variações das faixas pode, sim, ser bem interessante e nos brindar com uma qualidade musical elevada.

07 - Faith No More - King For a Day...Fool For A Lifetime (1995)

08 – RACIONAIS MC’S – SOBREVIVENDO NO INFERNO (1997)

Abre com “Jorge da Capadócia” pra quem nunca tinha ouvido sequer falar de Portished e Jorge Ben. “Genesis” foi um dos primeiros contatos com o que pode ser considerado “movimento negro” e daí passei à entender o título do disco. Não preciso falar sobre as outras faixas como “Diário de Um Detento”, mas é evidente que esse disco evoca uma revolução interior causando um estardalhaço até hoje.

08 - Racionais MC's - Sobrevivendo No Inferno (1997)

09 – RATOS DE PORÃO – GUERRA CIVIL CANIBAL (2000)

É o Ratos ao meu ver numa das melhores formas; Gordo recuperado da zica (e cantando sobre), Boka provando porque é um dos maiores bateristas do roque brasa e as cordas extremamente incríveis dão uma sonoridade mezzo grindcore ao crossover desse disco. Eu vivia repetindo “Biotech is Godzilla” ou “Toma Trouxa” como mantras.

09 - Ratos de Porão - Guerra Civil Canibal (2000)

10 – LUDOVIC – IDIOMA MORTO (2006)

É difícil falar do segundo e último disco dos caras, qual tão intenso quanto o primeiro, arrastava uma multidão de novas caras ao roque independente transbordando diversas sensações através de suas abissalmente intensas letras num Pós-Punk de guitarras distorcidas. Hoje não há dúvida que esta é uma das mais incríveis obras musicais realizada nos últimos anos.

10 - Ludovic - Idioma Morto (2006)

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Sobre o autor

Maurício Martins

Jornalista, pai da Maria Stella, fã de quadrinhos e ficção científica. Aficionado por música, especialmente pelo punk e hardcore. Também é idealizador e editor do Nada Pop.

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